Meu interesse pelo livro "O Crime do Padre Amaro" surgiu na universidade, quando um professor comentou de toda a polêmica que envolvia a obra: o tema pesado, o fato de ter sido censurado, entre outros. Confesso que comprei logo, em geral clássicos são baratos, mas relutei em pegar para ler, pois sabia que seria um desafio: devido ao português europeu e arcaico. Porém, este se tornou o primeiro livro do projeto "Lendo clássicos" aqui no blog.
O enredo acredito que a maioria já conheça, mas me surpreendi demais com os detalhes que até então eram desconhecidos por mim. Bom, vamos lá: a obra se inicia no começo da carreira de padre de Amaro, quando é transferido para Leiria e vai morar na casa da Dona Joaneira. Parece que naquela época era costume padres se hospedarem em casas de família, e, também era considerado uma honra ter um padre morando ali.
Dona Joaneira tem uma filha, Amélia, e com a convivência em família, Padre Amaro e Amélia se apaixonam. A princípio Amaro faz de tudo para resistir à paixão, pois sabe que é padre e seria um pecado. Porém vendo a realidade dos padres, todos pecando, ele acaba sendo corrompido, vide a teoria do determinismo do meio.
Já Amélia, personagem chata, não age, não tenta fugir da situação, se sente presa à paixão que sente pelo padre. Por várias vezes, tive vontade de entrar no livro e dar um choque de realidade na personagem, dizer que ele era um padre e mandá-la "acordar para a vida".
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| Foto: arquivo pessoal |
Já Amélia, personagem chata, não age, não tenta fugir da situação, se sente presa à paixão que sente pelo padre. Por várias vezes, tive vontade de entrar no livro e dar um choque de realidade na personagem, dizer que ele era um padre e mandá-la "acordar para a vida".
E Amélia aterrada reconheceu a Joaninha Gomes, sua amiga da mestra, que fora amante do padre Abílio! [...] E também ela, como outrora a Joaninha, chorava sobre a sua costura quando o padre Amaro não vinha! Onde a levava aquela paixão?
Amélia estava noiva de João Eduardo, que a idolatrava, a enxergava como uma mulher casta, religiosa e perfeita, mas, ao invés de escolher o caminho mais seguro que é o matrimônio, resolve se entregar ao amor pelo padre e vai arcar com as consequências disso.
Um ponto interessante da narrativa do Eça é que ele constrói muito bem os personagens; apesar de eu não gostar de ambos protagonistas, tenho que admitir que são bem trabalhados. Por isso, Acredito que a obra do Eça desperte sentimentos e envolva o leitor com o seu enredo.
Com uma narrativa em terceira pessoa, ele nos mostra o passado dos personagens e o que faz com que eles ajam de determinada forma. Por exemplo, Amaro era órfão e não era seu sonho se tornar padre, talvez por isso sentia falta da liberdade que a vida religiosa não lhe proporcionava.
Por esse tempo começara a sentir um certo afastamento pela vida de padre, por exemplo não poderia casar. Já as convivências da escola tinham introduzido na sua natureza efeminada curiosidades, corrupções. Às escondidas fumava cigarros: emagrecia e andava mais amarelo.
Acredito que Amaro, apesar de ser padre, lida com as situações de forma fria demais, sem demostrar sentimentos. Talvez por isso não tenha gostado do personagem. Também tenho minhas dúvidas se ele realmente amava Amélia, talvez o que ele sentia fosse apenas uma atração física ou paixão (quem leu deixe sua opinião nos comentários: Amaro amava ou não Amélia?).
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| Foto: arquivo pessoal |
Apesar de eu ter a versão física do livro, iniciei a minha leitura no Kindle, pois ia pegar uma fila e ele é mais leve, e resolvi terminar de ler nele, visto que tem termos muito difíceis, tanto por ser um português europeu arcaico como por se tratar de igreja, sendo que há muitos termos relacionados que eu não conhecia. No Kindle há um dicionário embutido, você clica na palavra e já aparece o significado na hora, então facilitou muito. Não é uma leitura fluida, demorei muito mais que o normal para terminar. Além da linguagem difícil, Eça aborda uma temática pesada, que por vezes me desanimou e fez com que eu intercalasse com leituras de livros leves no meio. Encarei a leitura como um desafio que de fato consegui superar. Não é um livro que recomendo para um leitor iniciante, mas com certeza recomendo para quem quer uma leitura desafiadora e diferente.
Obs.: sei que o sobrenome do autor é encontrado em duas versões: Queirós e Queiroz, optei por usar a última que é a que está na capa do livro que li.
Já leram? Pretendem ler? Conhecem a história? Comentem.
Obs.: sei que o sobrenome do autor é encontrado em duas versões: Queirós e Queiroz, optei por usar a última que é a que está na capa do livro que li.
Já leram? Pretendem ler? Conhecem a história? Comentem.

