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    22/04/2017

    Os Románov, de Simon Sebag Montefiore (resenha)

    Os Románov – 1613 – 1918
    Autor: Simon Sebag Montefiore
    Editora: Companhia Das Letras
    Gênero: História


    Sinopse:
    Os Románov foram a mais bem-sucedida dinastia dos tempos modernos, tendo governado um sexto da superfície da Terra. Neste livro envolvente, o premiado historiador Simon Sebag Montefiore revela o mundo secreto de poder ilimitado e a implacável construção de um império fervilhante, repleto de conspirações palacianas, rivalidades familiares, excessos sexuais e extravagâncias selvagens.  
    Um palco composto de um elenco de aventureiros, cortesãos, revolucionários e poetas: de Ivan, O terrível, a Tolstói; da Rainha Vitória a Lênin. Escrito com uma verve literária admirável e baseado em recente pesquisa, Os Románov é ao mesmo tempo uma história de triunfo e tragédia, amor e morte, um estudo universal do poder e um retrato essencial do império que ainda define a Rússia de hoje. 

               


                 Simon Sebag Montefiore é formado em História, em Cambridge, e doutor em filosofia pela mesma universidade, suas obras forma traduzidas para mais de 45 idiomas e, dele, a Companhia das Letras publicou Jerusalém, O Jovem Stalin e Stalin, que ganhou o British Book Awards de melhor livro de história de 2004.
                Confesso que às vezes me dá alguns “picos” de gêneros literários – ora me interesso por romances água com açúcar, fofinhos e beirando à inocência juvenil ao estilo Carina Rissi ou Coleen Houck, outras vezes sou adepta às narrativas de comédia leve e romântica de Sophie Kinsella, e outras tantas – na verdade uma fase que se prolonga a um tempo – me interesso por narrativas épicas de cavalaria, cruzadas e lencinhos caindo ou tapando um ferimento quase mortal de um cavaleiro – a indústria têxtil dessa época deveria lucrar horrores.
    Contudo, o livro ao qual me refiro nesta resenha, sai da minha linha usual: uma narrativa história, que, ao contrário do que sempre pensamos, não corre o risco de nos matar de tédio – Algo que deveria ser claramente analisado ao escolher livros para fins didáticos, as pessoas se interessariam muito mais por história se livros como esse fossem indicados no currículo de ensino.
                Aprendemos que as famílias reais inglesas, como os York, Lancaster e Tudor, carregavam uma grande bagagem de tragédia, intrigas dignas de seriados televisivos, dramas familiares, e um grande risco de não acordar no dia seguinte. Os Románov ultrapassa essa linha, mostrando 304 anos de uma dinastia poderosa, temida, ora respeitada, ora odiada, que se manteve no poder não somente devido ao direito hereditário, mas à astúcia, à malícia, e a uma crueldade quase genética, que não poupou nem mesmo os mais admirados líderes da família.
                A narrativa é atraente, dinâmica, e fiel aos acontecimentos históricos, atendo-se aos fatos comprovados e documentados, mostrando que a família Romanov, além de ser responsável pela contínua – e temida pelo ocidente – expansão do império Russo, também contribuiu fortemente com a história, cultura e tradições do país, seja por meio de seus incríveis e por vezes, terríveis feitos, ou pelo simples fato de amarem a arte e as ciências.

    “Estima-se que o Império Russo aumentou cerca de 140
    quilômetros  quadrados  por  dia  de pois  que  os Románov  chegaram  ao  trono,  em  1613,
    ou  mais  de  520  mil  quilômetros  quadrados  por  ano.  No  final  do  século  XIX,  eles
    governavam um sexto da superfície da Terra  — e continuavam em expansão."


                O livro, além de uma narrativa fantástica, coesa e atraente, é uma análise interessante sobre o efeito que um grande poder e influência pode ter sobre um indivíduo e como isso afeta os demais ao seu redor, desde esposas/maridos até a um simples escravo e pastor de gado – A Rússia Tsarista era uma verdadeira roda da fortuna: de plebeu você podia chegar a líder, e de líder ser exilado – ou fuzilado – por qualquer motivo. Tal efeito de poder é mostrado em diversos ângulos, em diversas épocas da história do mundo, sob diferentes contextos da sociedade, cultura e mudanças através dos séculos.


    “Os Románov se tornaram não só a própria definição de dinastia e imponência, mas também de despotismo, de uma parábola de loucura e arrogância do poder absoluto.
    Nenhuma dinastia, excluindo a dos césares, ocupa tal lugar no imaginário e na cultura populares, e ambas fornecem uma lição universal sobre como funciona o poder pessoal naqueles tempos e agora.

                 Mas, contudo, Os Románov, é um desse livros que apesar de alta qualidade, não atraem a todos os tipos de pessoas, se você gosta de enredos épicos, narrativas diretas, sem inclinações a conjecturas e floreios fantásticos, e não liga se é ficção ou não, o livro é para você, e lhe proporcionará uma ótima leitura, mas se você é um leitor mais inclinado a cultura pop, ficção e literatura fantástica, recomendo que pule para a próxima, pois é provável que se sinto bastante infeliz no meio do caminho.
                Espero que tenham gostado da sugestão.
                Perguntas, dúvidas, comentários são apreciados, embora a criatura que vos escreve demore uma pouco para responder.
                Até a próxima.

                Haidy – que no momento está tentando entender como uma mulher conseguia usar 15 mil vestidos. 

    17/06/2016

    A elegância do ouriço, de Muriel Barbery (Resenha)

    Olá, pessoal!
    Sabem quando gostas tanto de um livro que sente a necessidade de comentá-lo com alguém? De recomendá-lo? Pois bem, é por isso que decidi apresentar o livro “A elegância do ouriço”, da escritora Muriel Barbery. Se tornou um de meus favoritos (<3). A edição que li é da Companhia das Letras, a 7ª reimpressão, de 2008. A tradução é de Rosa Freire d’Aguiar; o título original é L’elégance du hérisson.
    Esse foi o livro que li logo em seguida de “Celeuma” (cuja resenha ficou um pouquinho grande...), e, talvez por isso, eu tenha me impressionado tanto com a obra de Muriel. Em outras palavras, depois de uma leitura um tanto decepcionante, pra não entrar em detalhes, qualquer livro bom poderia ser incrível para mim. Mas acredito que o livro de Muriel é magnifico por vários motivos. E tentarei demonstrá-los.
    O livro é dividido em cinco partes: Marx (Preâmbulo); Camélias; Sobre a gramática; Chuva de verão; e Paloma. A história possui duas narradoras, sendo uma delas a jovem Paloma e a outra a concierge (ou zeladora) Renée. A edição do livro deixa claríssimo quem está narrando sem precisar colocar seus nomes; a fonte utilizada por cada uma é diferente, além de que a numeração de uma não afeta a de outra.
    Primeiramente, somos apresentados a Renée, uma mulher de cinquenta e quatro anos, viúva e que nutre um gosto pela literatura – ela tem um gato chamado Leon em homenagem a Tolstoi! – e pela Arte. Mas, ao mesmo tempo, vemos que, por dado motivo, ela finge ser uma mulher grosseira e ranzinza. Isso é, nenhum dos moradores do número 7 da Rue de Grenelle sabe, ou mesmo percebe, que ela é uma pessoa um tanto sensível e que aprecia a Arte. A única pessoa que conhece esse lado de Renée é sua amiga Manuela, que possui um gosto particular pela culinária de doces. As duas possuem esse refinamento – Renée diz que ambas são aristocratas – que não costuma ser esperado de pessoas em suas posições sociais, o que mostra o trabalho com os estereótipos – algo que a autora utiliza bastante, mas de um modo sutil. Apesar de alguns personagens demonstrarem esses estereótipos ou mesmo serem de desenvolvimento pouco profundo, dá para se notar que há o objetivo de se deixar assim; estereótipos existem por uma razão, e Muriel soube expor isso sem se tornar cansativo ou apenas uma repetição do que sempre é dito. A própria narrativa de Renée permite esse contraste, sendo que sua fala é meio reflexiva e questionadora.

    “O que é uma aristocrata? É uma mulher a quem a vulgaridade não atinge, embora esteja cercada por esta” (p. 30, Renée).

    Gostaria de poder comentar sobre o desenvolvimento de Renée no decorrer da história, mas, como seria spoiler, observemos um pouco da outra narradora do livro, a adorável Paloma – embora xará da moça de “Celeuma”, essa Paloma é uma personagem simplesmente cativante. A jovem narradora é uma adolescente de doze anos, decidida a encontrar um sentido para a vida ou então se suicidar no dia de seu aniversário de treze anos, além de pôr fogo no apartamento – quando ninguém estiver em casa. Engana-se quem achar que a escrita dela será, por esse motivo, um drama exagerado de menina rica. Até me surpreendi pela escrita utilizada pela autora para Paloma; um estilo sutil, bem desenvolvido – acrescento que as conclusões da menina seguem uma linha de raciocínio – e que, embora um tanto melancólico e voltado para sua visão de que não há sentido na vida (algo que eu adorei), reflete o espírito em dúvida do ser humano, a angústia de continuar sem saber o porquê. A necessidade que temos de ter um objetivo; uma finalidade na vida. Além de mostrar que as pessoas são mais do que aparentam – e isso também quanto a Renée.
    Apesar de ser uma adolescente narrando, e no começo do livro ela parecer um pouco arrogante, pode-se perceber que a escrita é rica de pensamentos sobre as ações humanas. Paloma é uma adolescente quieta, que gosta de um ambiente tranquilo para pensar sobre o mundo, numa forma de se enclausurar, uma fuga de seus desagrados cotidianos – como sua irmã que está sempre ouvindo músicas em alto volume.
    Espero que gostem desse livro, porque olha... é lindo. <3
    Um fato intrigante é que Paloma não aceita o suicídio como uma fuga dos problemas, e sim uma alternativa para a vida que não há sentido ser vivida. Para ter certeza de que não estará tomando uma decisão errada, ela decide escrever dois diários: Pensamentos Profundos, e Diário do movimento do mundo. No primeiro, ela expõe pensamentos que considera profundos, isso é, fatos que a fizeram pensar sobre si mesma ou sobre as pessoas ao seu redor. No segundo, ela busca observar movimentos do mundo, coisas do cotidiano, que lhe sejam interessantes e mostrem o desenvolvimento de onde vive.

    “E também, acima de tudo, lancei a mim mesma um pequeno desafio: se a gente se suicida, deve ter certeza do que faz e não pode queimar o apartamento “a troco de nada”. Então, se existe alguma coisa neste mundo pela qual vale a pena viver, não devo perdê-la, pois, quando estiver morta, será tarde demais para ter arrependimentos e porque morrer por termos nos enganado é, de fato, muito idiota” (p. 36, Paloma).

    Paloma é, em síntese, o que falta ao ser humano do século XXI, esse humano pós-moderno: a sensibilidade, o olhar ao redor. Até pelo fato de que a própria Paloma não percebe tudo que a cerca, pois ter sensibilidade não implica necessariamente em perceber tudo, e sim estar mais atento, ser mais observador, apreciar a arte – para que não haja equívocos, refiro-me, aqui, não apenas a pinturas e músicas, como também a Literatura, entre outras formas de arte. Além disso, por meio dos pensamentos da jovem somos levados a pensar sobre atitudes tomadas cotidianamente – às vezes por preguiça, ou pela correria do dia a dia – e sobre a visão de futuro, como este é evitado e espera-se por ele, num misto confuso que não permite pausa.

    “Mas, se tememos o amanhã, é porque não sabemos construir o presente e, quando não sabemos construir o presente, contamos que amanhã saberemos e nos ferramos, porque amanhã acaba sempre por se tornar hoje, não é mesmo?” (p. 138, Paloma).

    É interessante que ambas as narradoras nutrem certo gosto por elementos da cultura japonesa. Um, em particular, que achei fascinante, foi a comparação entre portas, feita pela Renée.

    “Desde o primeiro filme, O gosto do arroz com chá verde, fiquei fascinada pelo espaço de vida japonês e por essas portas que correm e se recusam a fraturar o espaço e deslizam suavemente sobre trilhos invisíveis. Pois, quando abrimos uma porta, transformamos o local de um modo bem mesquinho. Chocamo-nos com toda a sua extensão e ali introduzimos uma brecha indiscreta resultante das proporções erradas. Se pensamos bem, não há nada mais feio que uma porta aberta. No aposento onde fica, ela introduz como que uma ruptura, uma interferência que quebra a unidade do espaço. Na peça contígua, gera uma depressão, uma fissura imensa e, no entanto, estúpida, perdida num pedaço de parede que preferiria ter ficado inteira. Nos dois casos, perturba a extensão sem outra contrapartida além da licença de circular, que pode, porém, ser garantida por vários outros processos. A porta de correr, por sua vez, evita os obstáculos e magnifica o espaço. Sem modificar o equilíbrio, permite a metamorfose. Quando é aberta, dois lugares se comunicam sem se ofender. Quando é fechada, cada um deles recupera sua integridade. A divisão e a união se fazem sem intrusão. A vida ali é um calmo passeio, ao passo que entre nós ela se aparenta a uma longa série de arrombamentos.” (p. 161-162, Renée).

    Além das narradoras, há outro importante personagem na história, responsável por certo movimento na história, o japonês Kakuro Ozu. Que, curiosamente, possui dois gatos com nomes em homenagem ao mesmo escritor russo que Renée adora. Pode-se dizer que as engrenagens que moviam a história até então passem a fluir em outro ritmo, e vemos uma mudança curiosa tanto na Renée quanto na Paloma.
    O desenvolvimento da história, num geral, foi bem explorado. Um pouco clichê? É, talvez. Mas o livro é fantástico! Ainda mais se pensarmos no movimento dos personagens. O que faz Paloma chegar as suas conclusões e como é tratada tanto por sua família quanto pelos outros dois personagens principais. Embora sutil, a relação que estabelecem entre si, apesar do curto tempo, é compreensível e mesmo admirável.
    Até o Smell (o coelho da foto) gostou. ;)
    Ademais, há três elementos fascinantes que aparecem no livro: gatos, Literatura, e gramática. E isso aparece na narrativa de ambas as personagens, e, para mim, que gosto desses três elementos, deixa o livro bonitinho e interessante de ler. Há até mesmo um capítulo em que Paloma critica sua professora quanto à justificativa do ensino de gramática! Uma questão que discutimos algumas vezes no curso de Letras, até. “Para que aprender gramática?”. Pode-se até dizer que algumas das reflexões de Paloma parecem até um pouco profundas demais para uma adolescente... Mas só o fato de não ser uma adolescente chata com problemas de adolescentes comuns já me agradou. Com isso digo o “comum” que muito aparece em livros atuais, como bebidas, festas, amigos meio chatos etc. Paloma demonstra, sim, esse seu lado problemático familiar, sua fuga dos problemas e que problemas pretende causar para fugir deles, porém, faz isso de uma forma mais reflexiva, interiorizada... diria até que com certa graciosidade.
    Claro que o livro possui algo que em dado momento me desagradou, que me fez pender entre se gostei ou não desse fato, se fez sentido ou não etc. Não chega a ser um spoiler, por isso contarei. Em dado momento, Renée comenta que está escrevendo um diário, o que chega a parecer que toda sua fala seja seu diário, e eu fui lendo pensando que fosse... Porém, ao final fica claro que não é um diário; ela até pode escrever um diário, mas não é o escrito que estamos lendo.

    Enfim, num geral, pode-se perceber que a Muriel Barbery conseguiu criar uma bela história sobre A elegância do ouriço, mesclando literatura, gatos, arte e pensamentos acerca do mundo. A escrita é fluída e os pontos negativos são pouquíssimos se compararmos com os pontos positivos; por isso, recomendo muitíssimo esse livro para quem se interessou e quiser conhecer essa excelente autora. Então, já conheciam a autora e esse livro?

     “Vejo direitinho os sintomas deles, mas não sou competente para curá-los e, com isso, também fico tão doente quanto eles mas não vejo” (p. 311, Paloma).

    01/09/2014

    A revolução dos bichos



    Olá leitores,

    Esse livro se difere de tudo que eu já li, pois costumo ler romances, literatura fantástica, enfim, geralmente livros que possuem personagens humanos. Digo isso porque A Revolução dos bichos trata-se um livro cujos protagonistas são os animais, os quais agem como humanos. 
    Escrito no ano de 1945 por George Orwell, o livro é uma crítica a sociedade da época. 
    A edição que eu li foi da Companhia das Letras publicada em 2014, cuja capa é colorida com o Bola-de-neve nela, isto é, o personagem do livro, o porco, a obra possui 112 páginas de história e mais apêndices. 
    A história começa, quando o porco mais velho, Major, está doente, e sentindo que sua hora será em breve, conta aos bichos que teve um sonho: a fazenda seria governada por animais. Após a morte dele, os animais começam uma revolução e a fazenda passa a ser governada por eles.
    Como toda sociedade criam regras:

    Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.  O que andar sobre quatro patas, ou tiver asas, é amigo. Nenhum animal usará roupa. Nenhum animal dormirá em cama. Nenhum animal beberá álcool. Nenhum matará outro animal. Todos animais são iguais.
    Os bichos realmente possuem características humanas na obra, pois aprenderam a ler e escrever, assim, escrevendo as regras na parede da granja, para que todos se lembrassem. Contudo, se sentindo poderosos, começam a mandar uns nos outros, um exemplo disso foi a construção do moinho-de-vento, em que trabalhavam como escravos. 
    É uma obra que nos faz refletir sobre a sociedade atual, sobre a personalidade humana, realmente mudamos quando conseguimos algum poder? Todo político se corrompe? 
    Todavia, a história não prende a atenção do leitor, ou seja, não é aquele livro que você precisa ler pois está curioso para saber o que vai acontecer. 
    Porém, é um livro que sua atenção tem que ser totalmente dedicada ao mesmo, com a finalidade de entender a história, isto é, a linguagem é um pouco complicada.
    Mas se você quer um livro que fuja dos romances tradicionais, com uma história diferente, indico A Revolução dos Bichos.

    E vocês: já leram? Gostaram? Pretendem ler? 

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