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    06/11/2017

    Minha Lady Jane, de Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows (resenha)

    Olá, leitores!

    Assim que lançou o Minha Lady Jane, fiquei curiosa para ler pois já conhecia um pouco da história de Jane Grey, a rainha dos nove dias. Mas ao contrário do que um imaginei, não é um livro histórico e sim uma fantasia com um fundo histórico, ou seja, ela usa como base os personagens e contexto para criar uma fantasia. Logo no começo da obra as autoras explicam um pouco disso:

    Preste atenção. Mexemos um pouquinho nos detalhes que pareceram insignificantes. E rearranjamos completamente os detalhes mais importantes. Alguns nomes foram trocados para proteger os inocentes (ou não tão inocentes assim, ou talvez simplesmente porque achamos que o nome em questão era péssimo e preferimos o outro nome que inventamos). E adicionamos um toque de magia para deixar as coisas mais interessantes. Então, é sério: qualquer coisa pode acontecer. (página 13)
    Foto: arquivo pessoal


    Na sociedade criada pelas autoras existem os edianos, que são seres humanos capazes de se transformar em animais. Henrique VIII era um, quando ele faleceu Eduardo, seu único filho homem assume, e resolve proteger os edianos dos verdádicos (pessoas normais que são contra eles). Porém ao se ver doente, Eduardo teme que o torno vá para Maria, que é totalmente contra os edianos. Por isso, com o auxilio de um conselheiro, ele trama que Jane Grey, sua melhor amiga e prima, assuma o trono. Para isso, ele casa Jane com um Gê, um ediano que dia é cavalo e a noite um homem normal. Assim, Jane, que já era fascinada por edianos, vivia lendo sobre eles, seria totalmente a favor. 

    Mas qual era a alternativa? Maria ainda era uma verdádica, além de uma verdadeira estraga-trazeres. Bess ainda não tinha uma opinião formada a respeito de edianos. Jane era a única escolha decente para a linha de sucessão real. (página 85)
    - Estou casando minha própria prima com um cavalo. (página 28)

    O livro é dividido em três pontos de vista: Jane, o rei Eduardo e Gê (o cavalo), acredito que cada autora tenha escrito um, visto que temos três autoras e três protagonistas. Mas é muito bem narrado que não podemos adivinhar quem escreveu qual. Sobre Jane, é encantadora, corajosa, teimosa e inteligente. Ah... ela ama ler! Logo, me apaixonei logo de casa. Tem que encarar o futuro de ser rainha e a realidade de estar casada com um cavalo. Eduardo é machista, infantil e com planos malucos. Já Gê é de dia cavalo e de noite humano, o que complica um pouco as coisas hehe. A obra também retrata personalidades conhecidas como Maria Tudor e Elizabeth I (Bess, como é chamada no livro). 
    Apesar de não ser um livro histórico a obra faz menções aos fatos, diversas vezes Ana Bolena é mencionada, senti falta de abordarem Jane Seymour, a mãe de Eduardo. O pouco de fidelidade histórica que tem me agradou muito. Porém a parte dois do livro, cuja observação das autoras é "jogamos o lado histórico pela janela" se tornou arrastada, apesar da minha curiosidade de saber se iam ou não manter o destino da verdadeira Jane, custei a terminar de ler. Vale ressaltar que as autoras pretendem criar o mesmo estilo de livro com outros personagens históricos, já estou curiosa para saber qual o próximo.
    Já leram? Gostaram? Pretendem ler? O que acharam da ideia de misturar história com fantasia? Comentem.

    18/09/2017

    Entrega especial, de Danielle Stell (resenha)

    Olá, leitores!

    Como vocês já devem saber, Danielle Stell é uma de minhas autoras preferidas. E como estava sentindo falta de ler algo dela, então "desenterrei" da estante o livro "Entrega especial", que comprei na feira do livro da minha cidade por R$ 5,00, a edição que tenho é da Altaya e da Record, foi publicada em 1997 e contém 197 páginas.

    Foto: arquivo pessoal
    A obra me chamou a atenção por ser um romance maduro, com personagens adultos (vejo poucos por aí, me indiquem alguns nos comentários). Amanda tem 50 anos e largou a carreira como atriz para se dedicar ao casamento e à família, ela se vê sem rumo após o falecimento do marido. É quando se aproxima de Jack, de 59 anos, que é pai do marido de sua filha e tem um trauma por conta do relacionamento com a mãe de seu filho, além de ter perdido o amor de sua vida. Mas Amanda sempre o enxergou como um rico rodeado de mulheres bonitas, enfim, um galanteador. Daí vai surgir um romance com muitas dificuldades, principalmente o fato de os filhos não aceitarem o relacionamento dos dois. 

    - Eu simplesmente não, eu não... eu sinto como se não tivesse o direito de fazer algo assim sem o Mattew... Que motivo eu teria para sair e pular de alegria? Para que devo aproveitar a vida? [...] Por que eu estou viva e ele não? É tão injusto. Por que isto tinha que acontecer? (página 33)
    Aos 59 anos, Jack Watson tinha tudo que sempre quiseram ter: um negócio que nunca parava de crescer  e de fazer dinheiro. 

    Foto: arquivo pessoal
    O interessante dos personagens é que ambos sofreram na vida amorosa e se ajudam a superar os traumas e a serem felizes. Vale ressaltar que são bem desenvolvidos, assim como os secundários e que seus problemas são de adultos, tais como trabalho e preocupação com a família, e têm inseguranças, ou seja, são humanos. Admiro muito quando um autor consegue construir personagens humanos: com qualidades e defeitos. Outro ponto positivo da obra é que ela te surpreende, há viradas na trama. O que me incomodou, não diria que foi na narrativa, e sim com os personagens, foi a atitude das filhas da Amanda, que, mesmo vendo a mãe feliz ao lado de um novo amor, não aceitaram e viraram a cara, diria até que é inveja  (não vou dar spoilers, mas lendo o livro dá a entender isso). 
    Concluo que Danielle Stell novamente não me decepcionou, é um romance bem construído e maduro. Para quem não conhece a autora, ela faz o estilo do Nicholas Sparks (que também adoro): clichê e meloso (amo!). Já leram? Pretendem ler? Já conheciam a autora? Comentem.

    14/08/2017

    O Príncipe Corvo [Resenha]

                  
    Foto Divulgação : Grupo Editorial Record

                   O Príncipe Corvo (The Raven Prince) é o primeiro volume de uma trilogia, romance histórico, da americana Elizabeth Hoyt, publicado aqui no Brasil pelo Grupo Editorial Record.
                Quem poderá gostar: leitores que se interessam por autores como Julia Quimm, Tessa Dare, Lisa Kleypas e Sarah Maclean.

    Foto Divulgação : Grupo Editorial Record
    Sinopse: Ao descobrir que o conde de Swartingham visita um bordel para atender suas “necessidades masculinas”, Anna Wren decide satisfazer seus desejos femininos... com o conde como seu amante. Chega uma hora na vida de uma dama... Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em situação difícil. Em que ela deve fazer o inimaginável... O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude. E encontrar um emprego. Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender às suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos com o conde como seu desavisado amante.

                     Apesar de a escritora ser americana (e bastante cultuada entre o público feminino nos EUA) o romance é ambientado na Inglaterra de 1760, em um povoado chamado Little Battleford. Gosto muito de romances nesse estilo, mas confesso que o que me chamou atenção foi a capa. A versão brasileira optou por um estilo clássico, harmônico, e o resultado é lindo, mesmo para mim, que tenho uma forte opinião contrária a modelos reais em capas de livros.
                O enredo fala sobre infidelidade, convenções sociais, prostituição e até se arrisca na área do feminismo – assunto quase herético em uma época em que o papel fundamental da mulher era apenas cuidar de seu lar e gerar herdeiros, abordando assuntos como: mulheres trabalhando, tabus sobre desejos sexuais, e o papel da mulher na sociedade inglesa do século XVIII – que naquele período, passava pelas mudanças causadas pela revolução francesa, e a revolução industrial, mas que continuava bastante limitada e pseudo-puritana com relação a homens, mulheres e seus papéis. Uma das primeiras indagações de Anna, provavelmente a que leva a personagem aos seus próximos movimentos, é essa: “… um homem pode se satisfazer em locais como esse (um prostíbulo) e uma mulher como ela, viúva, deve ser recatada para o resto da vida?”.
                A cada início de capítulo, um pequeno trecho de uma fábula de mesmo nome do livro é contada, um romance entre uma jovem chamada Áurea e um príncipe amaldiçoado em forma de corvo, chamado Níger. A fábula é bastante semelhante ao mito de Eros e Psiquê – Os desafortunados amantes que se separaram durante um momento de desconfiança, e só voltariam a se encontrar após provas irrefutáveis de confiança e amor. A mensagem é clara: Não há amor sem confiança. Algo que os personagens do livro também devem aprender.
    Foto Divulgação : Grupo Editorial Record

                Edward de Raaf, Conde de Swartingham, é um personagem soturno, isolado, mas sem chegar a ser o típico mocinho arrogante, sua esposa morreu ao dar a luz, e seu filho seguiu o mesmo destino. Seu gênio explosivo e sua tendência a atirar objetos pelas paredes, e até em pessoas em momentos de fúria, somado ao seu aspecto pouco atraente devido às cicatrizes de varíola, o afastaram da maioria das pessoas, porém, quem realmente o conhece, como seus empregados, o têm como um homem justo e honrado.
                Embora ele tenha “olhos de absinto” o resto da descrição física de Edward não é a comumente encontrada em romances, que no geral descrevem seus mocinhos com “olhos de céu tempestuoso” ou “da cor do âmbar” com físicos de Apolo e quase hollywoodiano. O homem é bastante comum nos termos dos ingleses, e suas cicatrizes decorrentes da varíola são assuntos bastante presentes ao longo da história, mostrando que De Raaf suportou muita coisa devido a elas, e que se resigna a suportar um pouco mais.
                Anna Wren é, assim como De Raaf, uma jovem viúva, que carrega suas próprias cruzes, na forma de um falecido marido infiel e amargurado, e sua esterilidade. Anna aos olhos dos homens da sociedade não é um bom negócio: é uma viúva empobrecida e estéril, em um tempo em que gerar o maior número de filhos homens era de suma importância. Para mulheres como Anna, as opções não são muitas, e tampouco honrosas – a maioria das damas não trabalham, e as que recorrem a isso, não são tão bem-vistas. Porém, com tão pouco dinheiro, as outras opções seriam: ou se prostituir, e tornar-se renegada perante a sociedade, ou tornar-se a amante de algum nobre ou comerciante, vivendo tal vida em segredo. A opção que Anna escolhe, é a menos comprometedora: trabalhar para Lorde Swartignham, cuja personalidade faz com que todos os seus secretários não durem muito tempo, algo que pode aliviar seu problema com relação as suas dificuldades financeiras, mas lembrem-se: esse e o século XVIII: as mulheres que se arriscavam a trabalhar gahnhavam muito pouco, e não era comum haver secretárias, apenas secretários, nessa época. E é aí que começa a história.
                Ao longo do enredo, vemos vários e pequenos mistérios, que envolvem tanto os personagens  principais, como os secundários. Toda a boa história tem uma antagonista, e em O Príncipe Corvo, ela vem na forma de Felicity Clearwater – a esposa de um rico latifundiário, décadas mais velho que ela, que nunca perde a oportunidade humilhar ou simplesmente cutucar Anna, e sempre manipula pessoas e situações para conseguir o que deseja. Comparar Anna e Felicity é algo que o leitor poderá fazer, inevitavelmente, afinal, ambas as mulheres possuem personalidades bastante decididas, em um tempo desfavorável a elas, e tomam caminhos adversos para contornar seus problemas e limitações sociais.
                É um romance, e não um ensaio ferrenho sobre feminismo ou direitos de ir e vir, mesmo homens como Edward de Raaf tem suas limitações e obrigações enquanto Conde de Swartignham, e nem sempre seus desejos podem se fazer valer, principalmente se isso envolve uma mulher como Anna Wren.
                A mensagem principal, tanto na Fábula O Príncipe Corvo, quanto no enredo decorrente no livro, é sobre confiança e lealdade, afinal, não há amor que sobreviva sem isso. Mas, há outra mensagem silenciosa entre suas páginas: Na vida real, no nosso cotidiano, o amor sobreviveria diante das convenções sociais?
                É um enredo ótimo, equilibrado e muito bonito, e se você leitor, aprecia romances, é um livro indispensável ara se ter entre os seus. Ele foi lançado em julho deste ano – é quase um pão saindo do forno – e está disponível nas principais livrarias tanto na versão física quanto na versão digital. A versão possui uma variação mínima de uma livraria para outra – entre R$ 21,38 a R$ 23,00, enquanto a versão digital por enquanto está a preço fixo de R$ 24,90.
                E como eu não tenho amor nesse meu coração, deixo vocês com mais curiosidade, com o primeiro capítulo disponibilizado pelo Grupo Editorial Record.
                Esperando estar viva até a próxima semana, me despeço.
                Até mais,

                Haidy. 

    05/08/2017

    A noiva devota, de Mari Scotti (resenha)

    Olá, leitores!

    "A noiva devota" é um romance de época, e o segundo volume da série da Família Hallinson, que se inicia com "Montanha da lua", escrita pela brasileira Mari Scotti, parceira aqui do blog, e contém 248 páginas. Nesta sequência, Mical e Octávio dão lugar a Samuel e Rosalina. Samuel é o filho mais novo do casal e carrega o peso de ser um Hallinson, filho de uma lenda: o casal que com o amor venceu uma maldição. Mas por ser o mais novo, não tem tantas responsabilidades, não vai herdar as responsabilidades do pai. Samuel não pretendia casar tão cedo, até que, em um baile, vê Rosalina Acker sufocada com a roupa apertada e ao tentar ajudá-la é flagrado despindo a moça. A mãe de Rosalina, Margarida Acker, vê essa como uma boa oportunidade para casar a filha com um Hallinson. Já Samuel aproveita a oportunidade para se aproximar de Isabel Acker, a irmã mais velha de Rosalina, por quem tem uma atração física. Além disso, Rosalina é apaixonada por Samuel desde criança, visto que ele brincava com o seu irmão Romoaldo.

    Eu era filho de uma lenda. E precisava superar expectativas além da minha própria capacidade.
    Foto: arquivo pessoal

    Sonho com Samuel Hallinson desde que o vi comprando botas com o irmão mais velho há mais de dez anos e penso nele quando penso em um matrimônio feliz.
    Então, a história vai se desenrolar em torno do noivado. É um enredo que parece simples à primeira vista, mas é muito bem trabalhado e desenvolvido com todos os detalhes que um romance de época precisa para te fazer entrar na história. É nítido que a autora fez uma pesquisa bem detalhada a respeito dos costumes da época, visto que os descreve muito bem.

    Os recitais e concertos caseiros não eram raros, mas também não ocorriam em dias comuns. Segundo a etiqueta, deveriam ser anunciados com convites de tecido especial e para os nomes mais conceituados da cidade.
    Foto: arquivo pessoal


    Todos os personagens são bem desenvolvidos, inclusive os secundários, gostei muito de ver Mical no papel de mãe dedicada, continua madura. Já Octávio, não gostava muito do personagem e ele não mudou muito hehe, continua o mesmo, mas foi bom recordar. A narrativa é feita em 1ª pessoa se revezando entre os protagonistas: Samuel e Rosalina. Eu, particularmente, gostei muito mais da Rosalina: acredita no amor, não é interesseira, nunca culpou Samuel pelo noivado ter acontecido, e vale ressaltar que, como boa parte das mulheres, é insegura com o seu corpo, visto que manca. Enfim, é uma personagem que é fácil de se identificar e se apegar. O outro protagonista, Samuel, é confuso com os seus sentimentos e indeciso, confesso que tive raiva dele em alguns pontos da leitura, assim como tive do seu pai, Octávio, em "Montanha da Lua".
    Novamente Mari Scotti me surpreendeu, mostrando uma evolução na sua narrativa e me fazendo entrar em sua história. Já leram a obra? Pretendem ler? Comentem.

    27/06/2017

    A Queda Dos Anjos (Resenha)

            




    capa da versão em português - Editora Verus

               A Queda Dos Anjos (Angelfall), é o primeiro livro da série Fim Dos Dias, uma ficção juvenil americana, escrita por Susan Ee, e publicada aqui no Brasil pela Editora Verus.

                Sinopse:
                Já se passaram seis semanas desde que os anjos do apocalipse desceram para destruir o mundo moderno.
                Gangues de rua governam o dia, enquanto o medo e a superstição governam a noite.
                Quando os anjos guerreiros voam para longe com uma garotinha indefesa, Penryn, de dezessete anos, fará de tudo para recuperá-la.
                Qualquer coisa, inclusive fazer um acordo com um anjo inimigo.
                Raffe é um guerreiro que está despedaçado e sem asas na rua. Depois de séculos lutando suas próprias batalhas, ele se vê resgatado de uma situação desesperadora por uma adolescente quase morta de fome.
                Viajando através de uma escura e distorcida Califórnia Do Norte, eles têm apenas um ao outro para sobreviver. Juntos, eles viajam em direção à fortaleza dos anjos em São Francisco, onde ela vai arriscar tudo para salvar sua irmã e ele, vai colocar-se a mercê de seus maiores inimigos, pela possibilidade de ser curado.

     Ironicamente, desde os ataques, o pôr do sol tem sido glorioso.

                A fórmula Adolescente + ser primordial sobre-humano já é bastante conhecida, principalmente na literatura inglesa/americana, e usada há muito tempo, desde os contos de A Bela e A Fera, passando pelo sombrio Drácula, e ficando bem popular com a Saga "Crepúsculo", "Fallen", "Cortes de Espinhos e Rosas", entre outros. "A Queda Dos Anjos" faz parte desse grupo, mas, não se enganem, ainda que seja um romance, a autora parece ser extremamente cuidadosa com o enredo que o permeia, e o melhor de tudo: não subestima seus leitores mais jovens.
                É de se esperar que o personagem imortal (seja vampiro, anjo, deus e tudo o mais) seja um tanto trágico com relação ao amor – Edward Cullen que o diga. Porém, o personagem Raffe, um anjo que teve suas asas arrancadas logo nas primeiras páginas, mostra um outro resultado da imortalidade: ele é bastante cínico quando se trata de assuntos mundanos, e bastante cauteloso quando necessário.

    – Meus amigos me chamam de Ira. – diz Raffe. – Meus inimigos me chamam de Por Favor, Tenha Piedade.

                Susan Ee nos mostra uma visão nem um pouco bonita da natureza humana em um universo pós-apocalíptico, é uma análise quase antropológica – e lamentavelmente exata – sobre que rumo tomaríamos em uma situação tão extrema. A idade das trevas retorna, e os mais fortes, mais cruéis e mais espertos sobrevivem, e os outros morrem e desaparecem, aos milhares.
                Seis semanas – como é contado no livro – não é tempo o suficiente para que as pessoas se adaptem ou aprendam a se defender, Penryn e sua família, são sobreviventes, há muito tempo, muito antes de sequer suspeitarem que anjos realmente existiam.
                O pai de Penryn e Paige raramente é mencionado, e segundo Penryn, as deixou após ficar cansado da esquizofrenia paranoide da esposa, mãe das garotas, que em meio a suas fantasias e alucinações preparou Penryn para proteger Paige, desde muito jovem, a enviando a aulas de autodefesa e a ensinando a ser uma protetora – diante dos autos e baixos da instabilidade da mãe e o perigo que ela representava a todos, inclusive para elas mesmas.

    Uma parte de mim odeia a nova Penryn que eu havia me tornado

                Penryn se desdobra para proteger a todas, desde sua mãe, que sempre é necessário estar a um passo a frente para prever suas reações, até Paige, que é uma garota de sete anos e é tetraplégica.


    Qualquer pessoa que olha através das portas de vidros correria para longe, muito
    longe. E agora jogamos um jogo permanente de eu-sou-mais-louca-e-assustadora-do-que-você. E no jogo, minha mãe é a nossa jogada secreta.


                A mãe de Penryn é um mistério a mais, e constantemente encontramos alguma lógica em toda a sua loucura, mesmo quando a filha não está por perto, ela parece capaz de se defender sem muitos problemas.
                Cada personagem é tratado com cuidado, e muitos deles vão se mostrando pouco a pouco, desde os personagens humanos, ora cruéis, ora protetores, até os Anjos, tanto os caídos quanto os com asas, que parecem tão complexos quanto qualquer mortal pode parecer.
               Ao longo do enredo desvendamos paisagens destruídas, as histórias que permeiam a cultura e a tradição cristã, o resultado das lutas milenares travadas pelos anjos e acima de tudo, nossa própria natureza. Na leitura, nos identificamos com ao menos um personagem.
    Créditos: Haidy. 
                Raffe é um anjo cínico, um guerreiro outrora obediente, que por suas próprias razões desistiu de acreditar nos anjos, travou suas próprias batalhas e cumpriu suas missões sozinhos, após os anjos guerreiros ao seu comando caírem em desgraça. Ele protege Penryn, mas nunca a engana quanto a sua natureza, sempre deixando claro que entre os anjos é estritamente proibido relacionar-se com “Filhas do Homem”. Penryn, assim como Raffe, é um mistério desvendado ao longo do enredo, ao contrário da maioria dos personagens de outros livros, ela não torna-se guerreira após os acontecimentos, ela é uma lutadora há muitos anos, e ela nos conta, aos poucos, a razão disso.
                Esse é o primeiro livro de Susan Ee, e só posso dizer que espero para ver os outros, pois seu cuidado ao construir diálogos, narrar cenas de lutas e nos deixar em suspense beira ao talento de autores mais experientes, é um livro ótimo, feito para adolescentes e claro, para adultos.
                Espero que vocês gostem da dica, e até a próxima.

                Haidy.

    P.S.: Dizem que pode haver filme sobre essa trilogia, então, se você gostou da resenha não deixe de conferir o livro e ficar de olho nas notícias.


    22/04/2017

    Os Románov, de Simon Sebag Montefiore (resenha)

    Os Románov – 1613 – 1918
    Autor: Simon Sebag Montefiore
    Editora: Companhia Das Letras
    Gênero: História


    Sinopse:
    Os Románov foram a mais bem-sucedida dinastia dos tempos modernos, tendo governado um sexto da superfície da Terra. Neste livro envolvente, o premiado historiador Simon Sebag Montefiore revela o mundo secreto de poder ilimitado e a implacável construção de um império fervilhante, repleto de conspirações palacianas, rivalidades familiares, excessos sexuais e extravagâncias selvagens.  
    Um palco composto de um elenco de aventureiros, cortesãos, revolucionários e poetas: de Ivan, O terrível, a Tolstói; da Rainha Vitória a Lênin. Escrito com uma verve literária admirável e baseado em recente pesquisa, Os Románov é ao mesmo tempo uma história de triunfo e tragédia, amor e morte, um estudo universal do poder e um retrato essencial do império que ainda define a Rússia de hoje. 

               


                 Simon Sebag Montefiore é formado em História, em Cambridge, e doutor em filosofia pela mesma universidade, suas obras forma traduzidas para mais de 45 idiomas e, dele, a Companhia das Letras publicou Jerusalém, O Jovem Stalin e Stalin, que ganhou o British Book Awards de melhor livro de história de 2004.
                Confesso que às vezes me dá alguns “picos” de gêneros literários – ora me interesso por romances água com açúcar, fofinhos e beirando à inocência juvenil ao estilo Carina Rissi ou Coleen Houck, outras vezes sou adepta às narrativas de comédia leve e romântica de Sophie Kinsella, e outras tantas – na verdade uma fase que se prolonga a um tempo – me interesso por narrativas épicas de cavalaria, cruzadas e lencinhos caindo ou tapando um ferimento quase mortal de um cavaleiro – a indústria têxtil dessa época deveria lucrar horrores.
    Contudo, o livro ao qual me refiro nesta resenha, sai da minha linha usual: uma narrativa história, que, ao contrário do que sempre pensamos, não corre o risco de nos matar de tédio – Algo que deveria ser claramente analisado ao escolher livros para fins didáticos, as pessoas se interessariam muito mais por história se livros como esse fossem indicados no currículo de ensino.
                Aprendemos que as famílias reais inglesas, como os York, Lancaster e Tudor, carregavam uma grande bagagem de tragédia, intrigas dignas de seriados televisivos, dramas familiares, e um grande risco de não acordar no dia seguinte. Os Románov ultrapassa essa linha, mostrando 304 anos de uma dinastia poderosa, temida, ora respeitada, ora odiada, que se manteve no poder não somente devido ao direito hereditário, mas à astúcia, à malícia, e a uma crueldade quase genética, que não poupou nem mesmo os mais admirados líderes da família.
                A narrativa é atraente, dinâmica, e fiel aos acontecimentos históricos, atendo-se aos fatos comprovados e documentados, mostrando que a família Romanov, além de ser responsável pela contínua – e temida pelo ocidente – expansão do império Russo, também contribuiu fortemente com a história, cultura e tradições do país, seja por meio de seus incríveis e por vezes, terríveis feitos, ou pelo simples fato de amarem a arte e as ciências.

    “Estima-se que o Império Russo aumentou cerca de 140
    quilômetros  quadrados  por  dia  de pois  que  os Románov  chegaram  ao  trono,  em  1613,
    ou  mais  de  520  mil  quilômetros  quadrados  por  ano.  No  final  do  século  XIX,  eles
    governavam um sexto da superfície da Terra  — e continuavam em expansão."


                O livro, além de uma narrativa fantástica, coesa e atraente, é uma análise interessante sobre o efeito que um grande poder e influência pode ter sobre um indivíduo e como isso afeta os demais ao seu redor, desde esposas/maridos até a um simples escravo e pastor de gado – A Rússia Tsarista era uma verdadeira roda da fortuna: de plebeu você podia chegar a líder, e de líder ser exilado – ou fuzilado – por qualquer motivo. Tal efeito de poder é mostrado em diversos ângulos, em diversas épocas da história do mundo, sob diferentes contextos da sociedade, cultura e mudanças através dos séculos.


    “Os Románov se tornaram não só a própria definição de dinastia e imponência, mas também de despotismo, de uma parábola de loucura e arrogância do poder absoluto.
    Nenhuma dinastia, excluindo a dos césares, ocupa tal lugar no imaginário e na cultura populares, e ambas fornecem uma lição universal sobre como funciona o poder pessoal naqueles tempos e agora.

                 Mas, contudo, Os Románov, é um desse livros que apesar de alta qualidade, não atraem a todos os tipos de pessoas, se você gosta de enredos épicos, narrativas diretas, sem inclinações a conjecturas e floreios fantásticos, e não liga se é ficção ou não, o livro é para você, e lhe proporcionará uma ótima leitura, mas se você é um leitor mais inclinado a cultura pop, ficção e literatura fantástica, recomendo que pule para a próxima, pois é provável que se sinto bastante infeliz no meio do caminho.
                Espero que tenham gostado da sugestão.
                Perguntas, dúvidas, comentários são apreciados, embora a criatura que vos escreve demore uma pouco para responder.
                Até a próxima.

                Haidy – que no momento está tentando entender como uma mulher conseguia usar 15 mil vestidos. 

    13/04/2017

    Finalmente encontrei meu livro favorito

    Olá, leitores!

    Sempre me perguntaram qual o meu livro favorito, mas nunca tinha uma resposta formada. Sempre gostei de vários, por vezes respondi simplesmente "a saga Harry Potter", incapaz de escolher entre "Harry Potter e  o cálice de fogo" ou "Harry Potter e o enigma do príncipe", mas por ser  ela que me despertou a paixão pela leitura, não por ter o meu livro favorito nela. Uma vez me disseram que quem não tem livro favorito é porque ainda não o tinha encontrado, nisso, fiquei ansiosa, onde estaria meu livro favorito? Quando o leria?
    Sem mais delongas: esta postagem se trata da obra literária "Xeque-mate da rainha", escrita por Elizabeth Fremantle, publicada pela editora Paralela no ano de 2013 e contém 326 páginas, muito economizada por mim que não queria terminar a leitura. A obra conta a história de Katherine Parr, a sexta e última esposa do rei Henrique VIII da Inglaterra, aquela que foi viúva duas vezes antes de ser cortejada pelo rei e, quando foi  ficou apavorada ao saber do destino das rainhas anteriores:

    Divorciada, guilhotinada, morta, divorciada, guilhotinada. Esse é o histórico das ex-mulheres do meu noivo.
    A título de curiosidade vou mencionar o que ocorreu com as esposas anteriores, em ordem de casamento:

    Catherine de Aragón: o rei se divorciou dela porque já não era mais fértil por isso não poderia dar um herdeiro homem, também para se casar com Anne Bolena. Foi impedida de ver a filha, Maria, após o divorcio;
    Anne Boleyn: guilhotinada após o rei desconfiar que tinha um caso com o seu irmão (considerado incesto);
    Jane  Seymour: morreu no parto ao dar a luz ao único filho homem do rei;
    Anne de Clevis: rei se divorciou dela por não achá-la atraente, não chegou a consumar o casamento, portanto foi anulado;
    Katherine Howard: guilhotina após o rei descobrir que ela tinha um caso com o seu empregado.

    Foto: arquivo pessoal

    Como ela fará para sobreviver na corte sendo rainha? Além disso, na corte, ela se apaixona por Tomas Seymour, cunhado do rei, irmão de Jane Seymour, a única rainha a dar um filho homem ao rei. Todavia, o livro vai além de contar a história de Katherine e mostrar a rotina da corte; ele conta a história de Dorothy, ou simplesmente Dot, a fiel empregada de Katherine, vem de origem humilde, nem ler sabe e de repente está no palácio servindo a rainha da Inglaterra. A visão que Dot tem do palácio é muito interessante, porque acompanhar não só a rotina da realeza como também dos empregados no palácio é fascinante. Ainda temos Meg, a enteada de Katherine, que, após a morte do pai, fica aos cuidados da madrasta e também tem que lidar com a nova rotina e com os pretendentes, pois está na idade de se casar:

    "Mas tenho dezessete anos. A maioria das garotas bem-nascidas da minha idade está casada há dois anos e já prepara o segundo filho."
    Não posso deixar de mencionar como é retratado o rei Henrique VIII, que, nesta época, já estava com idade avançada e doente. Como os demais, é bem construído ao longo da narrativa:
    Ele está com aquela mão que parece um presunto na perna dela, e não se parece nada com o rei. É um homem velho, gordo e massudo, nem um tiquinho magnífico. Katherine parece ser sua filha ou sobrinha.

    Foto: arquivo pessoal

    É um livro cheio de detalhes, inclusive históricos, é fascinante como a autora consegue nos apresentar todas as rainhas anteriores contando a história da última, isso demostra o quanto a protagonista tem medo de ter o mesmo destino:
    Catherine de Aragón banida para acabar num castelo úmido no meio do nada, afastada até mesmo da filha. Anne Boleyn - preciso mesmo dizer?

    Apesar de se tornar meu livro favorito, não diria que irá agradar a todos, pois ele vai "jogando" os personagens, nomes dos quais eu já estava familiarizada por ter visto a série The Tudors. Vale ressaltar que há um pequeno dicionário de personagens ao final do livro. Também é um livro descritivo e denso. Está longe de ser a história de um amor proibido dentro da corte como mencionado na sinopse, aliás, nem concordo com isso, pois é a história de Katherine Parr e toda a corte de Henrique VIII, com menções a Edward, Mary e Elizabeth, os futuros rei e rainhas da Inglaterra. Então para quem tiver interesse neles, recomendo a leitura. Assim como para todos que têm interesse em história. Vale acrescentar que Elizabeth Fremantle fez toda uma pesquisa e procurou manter os fatos históricos, usando a imaginação para compor os pensamentos e personagens que não fazem parte da realeza, já que desses se tem pouco registro.
    O único defeito que posso apontar seria o uso de aspas no lugar do travessão para indicar os diálogos. Sei que ambos estão corretos, mas, por conta do travessão ser mais comum e do grande número de falas, acabei estranhando no início da leitura, no decorrer da leitura me acostumei.
    Já conhecia este livro? Gosta de romances históricos? Qual o seu livro favorito? Comente! 

    01/08/2016

    Estação Onze, de Emily St. John Mandel (Resenha)

    Olá, pessoal!
    Não sei se já leram ou pararam para pensar sobre os finais de livros. Não digo apenas se eles são bons ou não; ampliemos um pouco, pensemos em que sensações os finais nos causam. Em certa aula de Literatura Inglesa e Norte-Americana I (conhecida como Lina), o professor chamou atenção para esse ponto: a importância dos finais nos livros. Até me lembro de certo texto que li, sobre isso, do Luiz Schwarcz. Tanto o começo quanto o final do livro nos marcam. Vocês já perceberam isso?
    Quero dizer, quando li ou quando ouvi o professor de Lina falando sobre isso, sobre essa importância dos finais, eu havia entendido. Mas não percebido e sentido que isso é, de fato, tão relevante ao leitor. É aquele tipo de conhecimento que até que o vivencies não será tão marcante a ti. Entendi isso com as leituras de “Demian” (Hermann Hesse) e “Estação Onze” (Emily St. John Mandel), que são livros cujos finais são distintos demais. Ambas as obras são fantásticas, e possuem questões muito diferentes, mas é como termina a história que marcará nossa impressão final da obra. Redundante? Talvez.
    Devo admitir que não me encantei tanto com o final de “Estação Onze”, porque ele não foi sensacional, não foi algo perto de um clímax, ou mesmo uma cena que te deixa agitado. Porque é um final mais nostálgico, reflexivo; um final que não te deixa com as sensações à flor da pele. E talvez essa tenha sido a intenção! Porque o livro, mais do que uma obra sobre calamidade e relações humanas, é uma obra para pensarmos em nossa sociedade, nas relações humanas, claro, mas em como, na verdade, todo o nosso sistema social é frágil. Então, ele não causa agitação mesmo, não te deixa extasiado ou mesmo empolgado, porque não é o propósito dele – eu acho. Diferente de “Demian”, cujo final é sensacional, porque não deixa totalmente claro e tem um ar meio que de clímax. E é essa sensação, de dúvida, de arrebatamento, que causa esse êxtase ao terminar a leitura. Não dá para deixar de mencionar que a partir disso entram outras questões, como definir se as histórias são "fechadas" ou "abertas" etc.
    Apesar de ter começado a falar pela sensação que o final me proporcionou, espero que não se chateiem com isso, e possam aproveitar tanto da obra quanto eu.

    Bom, já ouviram falar do livro?
    “Estação Onze” é aquele tipo de livro de 400 páginas que, se parares para pensar, associando e pensando o que farias ali, e pensar ainda em cada pormenor, verás uma infinidade de assuntos. Isso porque a obra apresenta a nossa atualidade, nossa sociedade com toda sua tecnologia, e o que poderia vir a ser após uma calamidade. Na obra de Mandel, uma gripe, uma possível mutação da gripe suína pelo que se pode entender, denominada de Gripe da Geórgia, acaba atingindo todo o mundo – pelo que se pode entender ao menos – matando praticamente cerca de 99% da população mundial pelas últimas estatísticas. Tendo contato com o vírus, em 24 horas a pessoa estaria morta. Uma epidemia que se espalhou pelo mundo rapidamente devido às pessoas que viajavam de avião sem saber que estavam infectadas. Horrível, não?

    “Jeevan foi esmagado pela repentina certeza de que era aquilo mesmo, a doença que Hua descrevia iria representar uma fronteira entre um antes e um depois, uma linha que cortaria sua vida ao meio.” (p. 27).

    Segundo pude perceber, a obra é dividida em dois grandes períodos e três núcleos. Os períodos, fáceis de estabelecer pela citação acima, são o antes e o depois da gripe que devastou o mundo. Já os núcleos podem não ser tão facilmente identificados, ou posso estar fazendo erroneamente, e os chamarei de “grupo”, mas pelo que vi são: o grupo do Arthur; o grupo do Jeevan; e o grupo da Sinfonia Itinerante. Todos os grupos aparecem no antes e no depois. Chamo de grupo por englobar, junto ao personagem foco, todos os integrantes que se relacionam com ele. Simplificando, é mais ou menos assim: com o Jeevan – meu personagem favorito da obra –, ficamos conhecendo também seu irmão Frank; com Arthur, bem, a história é mais longa, mas conhecemos um pouco de suas ex-esposas, seu filho Tyler e seu amigo Clark; e, com a Sinfonia Itinerante – grupo de pessoas que viajam juntas apresentando concertos e peças de teatro –, conhecemos mais do mundo pós-calamidade e de parte de seu grupo composto por mais ou menos trinta integrantes. É interessante notar, aliás, que a história, embora em terceira pessoa, terá foco nesses três grupos, contando-nos sobre “os dois mundos” a partir deles, de modo que muita coisa fica em aberto e poderíamos nos questionar sobre o que aconteceu ou aconteceria futuramente, mas mesmo as possíveis pontas em aberto não incomodam a leitura em si.
    Pequena observação: esse é um livro que seria muito mais interessante se pudesse ser abordado considerando todo seu desenvolvimento e, com isso, os spoilers.
    A história começa no último dia antes do anúncio oficial da epidemia e, também, o último dia de vida de Arthur, um ator cuja vida vamos conhecendo aos poucos no decorrer do livro. Logo ao início, tem-se uma apresentação da peça Rei Lear, de Shakespeare, na qual Arthur interpreta o rei Lear e acaba morrendo em cena, devido a um infarto – se não estou enganada. Jeevan, o personagem meio esquecido da obra, estudando para ser paramédico, sobe ao palco para auxiliar o ator, quando percebe que este está passando mal. A partir de então temos os grupos estabelecidos; pois a Sinfonia Itinerante possui como membro Kirsten, uma atriz mirim que presenciou a morte de Arthur.

    “Kirsten se viu imaginando, como sempre acontecia quando via crianças, se era melhor ou pior nunca ter conhecido outro mundo, exceto o que veio depois da Gripe da Geórgia.” (p. 144).

    Inicialmente, não se tem ideia do quanto a epidemia afetou de fato a população sobrevivente, mas aos poucos a autora vai explorando o atual e o pós-desgraça. Talvez mais do que um livro sobre calamidades, seja pensar nas relações humanas – como é dito na contracapa – ou mesmo em como está a sociedade atual, ou mais do que uma história sobre tragédias, efemeridades e fama, a obra funcione como uma porta de reflexões e/ou pensamentos. Não como algo ali, explicitamente dito, mas mesmo o que está nas entrelinhas e só percebemos ao final.
    Explico-me melhor. De início, lembrei-me de outro livro que li há um tempo, “Na companhia das Estrelas”, de Peter Heller. Em ambos os livros vê-se uma situação pós-calamidade. São livros totalmente distintos, mas que nos passam algumas informações curiosas; fazem-nos pensar, mesmo que brevemente, nesse outro mundo em que poderíamos estar vivendo, eu diria ser uma ficção de um mundo muito verossímil. Mas voltando ao livro “Estação Onze”, e evitando os spoilers, questiono-os: já pensaram o quanto nossa sociedade, afinal, é frágil?

    “- Quer dizer que temos de acreditar que a civilização simplesmente chegou ao fim?
    - Bem – sugeriu Clark –, ela sempre foi um pouco frágil, não acha?” (p. 238).

    Vejam, se a sociedade fosse bem estruturada, talvez não se tornasse o que se tornou com a calamidade. Isso é, não se teria o desespero, a falta de tecnologia, o medo de simplesmente ver outro ser humano que não seja do seu grupo. Ao mesmo tempo a sociedade produz meios de que se possa voltar a estar num nível aceitável de convivência. Tudo depende do tempo, de quem vive e do que faz nesse tempo. Se mesmo com todo o comodismo, tecnologia e “facilidade” de sobrevivência que possuímos hoje temos essa sociedade com seus problemas, imagine com menos condições favoráveis. Na leitura da obra de Mandel, lembrei-me daquela ideia da sociedade como uma máquina, sendo cada “grupo” uma peça. Cada elemento coexiste, e mesmo sem ter noção ou conhecimento do outro, funcionam num conjunto para que a “máquina”, em sua totalidade, funcione adequadamente e sempre buscando melhorias. Morrendo os funcionários responsáveis pelo abastecimento de água e energia, por exemplo, todo o resto vem a cair/falir. Sem internet, sem energia, sem água, sem abastecimento de comida. A sociedade pós-calamidade era isso e um pouco mais; com pessoas que não tinham conhecimentos de uma vida sem o conforto e tecnologias. Essa questão também me lembrou do que se vê ao estudar sobre interdisciplinaridade, a fragmentação e toda a separação e conhecimento de “nada”.
    Ademais, convém dizer que o desenvolvimento dos personagens, apesar de bem colocado, de modo que consegues compreender as mudanças por que passaram, poderia ter sido muito mais explorado. O livro não é pequeno, são 400 páginas com fonte, margem e espaçamento pequenos, mas talvez ainda pudesse ser maior. A minha leitura da obra demorou um pouco, tanto por não parar tanto para ler quanto pelos pequenos pontos em que eu parava a leitura e pensava a respeito. Logo ao começo, por exemplo, um pequeno dado da obra, sobre a gasolina, me fez lembrar do livro “Na companhia das estrelas” e, disso, fiquei tentando lembrar e associar as semelhanças e diferenças; tentando pensar, como no início da leitura, qual a intensidade da situação, como as pessoas agiram e porque o fizeram desse modo etc. Aliás, é interessante mencionar o que o livro possui algumas referências bem específicas a outras obras, como a Star Trek e a algumas peças de Shakespeare, mas nada que atrapalhe a leitura caso desconheça as referências.
    A edição, publicada no ano passado pela Intrínseca, apesar de muito bonita e ser um livro agradável tanto pelo material quanto pela qualidade, possui alguns errinhos de revisão. Além de que fiquei um tanto desapontada com a capa após a leitura, pois é só no decorrer da obra que se percebe/descobre o motivo das facas na capa, e questiona-se o porquê das cabanas estarem tão iluminadas à noite – alguém já o leu e poderia me explicar caso eu não o tenha entendido? Porque não me parece possível pensar naquela iluminação toda na situação em que se encontravam, com recursos mais escassos etc. Enfim, mesmo para quem não goste de livros que abordem elementos meio pós-apocalípticos, com calamidades etc., acho que a leitura seria bem interessante, talvez mais ainda para quem não esteja acostumado com esse tipo de ambientação; embora quem já esteja também vá aproveitar muito, pois o livro é muito mais do que um retrato de calamidade. Fluído, com um drama bonitinho e uma retratação de parte de nossa sociedade, a leitura é muito bem-vinda.

    “O que quero dizer é que, quanto mais a gente lembra, mais a gente perdeu.” (p. 189).

    27/06/2016

    A menina que roubava livros, de Markus Zusak (resenha)

    Olá, leitores!

    Acho que não teria outra forma de iniciar essa resenha se não falando da fantástica narrativa feita pela Morte que conta a história da menina que roubava livros. Nossa narradora vai dando palpites sobre os humanos, os quais ela não entende, dando opiniões sobre a história e até dando spoilers do que está por vir, o que faz com que o leitor tente antecipar os acontecimentos. A Morte é uma figura enigmática, embora não seja revelado se é homem ou mulher, sempre imaginei como uma figura feminina.

    Foto: arquivo pessoal

    Eu não carrego gadanha nem foice. Só uso um manto preto com capuz quando faz frio. E não tenho aquelas feições de caveira que vocês parecem gostar de me atribuir à distância. Quer saber a minha verdadeira aparência? Eu ajudo. Procure um espelho enquanto eu continuo.
     A Morte começa a narrativa falando que se encontrou três vezes com a menina que roubava livros, ou seja, a Liesel. Seu primeiro encontro ocorre no início do livro, quando Liesel sendo levada juntamente com o seu irmão para ser adotada. Durante essa viagem, seu irmão acaba falecendo, e é nessa oportunidade que rouba seu primeiro livro, "O manual do coveiro", na tentativa de lembrar do irmão.
    Claramente, eu vi. Estava prestes a ir embora quando a encontrei ajoelhada. Uma cordilheira de escombros fora escrita, desenhada, erigida à sua volta. Ela estava agarrada a um livro.
    Foto: arquivo pessoal

    Com a morte do irmão, sua mãe adotiva Rosa acaba ficando brava, visto que eram duas crianças, logo, duas pensões. Como só veio a Liesel, a situação financeira não melhoraria tanto.
    Liesel não se adapta facilmente em sua nova casa, além de Rosa trata-la mal, ela sempre tem pesadelos lembrando da morte do irmão. É nessas noites que se aproxima do pai adotivo, Hans, que sempre vai acalmá-la. Além de Hans, a menina acaba fazendo amizade com Rudy, um garoto que mora na mesma rua.
    Vale ressaltar que a história se passa na Alemanha nazista, então, paralelamente a vida de Liesel, a Morte mostra a situação do país. Confesso que nunca fui de pesquisar o nazismo, logo, muito do que se passou na obra foi novidade. Mas, tudo é explicado pela narradora, a qual tem um função importante durante a guerra. Então, não entender o período histórico não impede de compreender a obra literária.

    Foto: arquivo pessoal

    A linguagem do livro não é simples, além de alguns termos em português que não vimos no dia-a-dia, há alguns em alemão, embora sejam poucos, é necessário uma pesquisa para compreendê-los pois seu uso é frequente. Além disso, a leitura não é fluida, talvez seja por conta das inúmeras descrições presentes no livro, mas, de fato demorei muito para terminar a leitura. Vale ressaltar que é um livro emocionante e muito bem escrito.
    Já leram? Viram o filme? Tem curiosidade de ler? Comentem.

    28/03/2016

    Fiquei com o seu número (resenha)

    Olá, leitores,

    O livro "Fiquei com o seu número" foi escrito pela Sophie Kinsella, publicado pela editora Record no ano de 2014 e contém 460 páginas. 
    Poppy está prestes a realizar o maior sonho da sua vida: se casar. O noivo? Magnus, o cara perfeito, inteligente, bonito e bem sucedido. Contudo, é na sua despedida de solteira que as coisas começam a dar errado, Poppy perde seu anel de noivado, a joia em questão é caríssima e está na família do noivo há muitas gerações. Além disso, seus futuros sogros estão viajando para conhecê-la e com certeza vão querer vê-la usando o anel da família.

    Foto: arquivo pessoal

    Para complicar ainda mais sua vida, Poppy tem seu celular roubado, o que é um problema, pois havia deixado o seu número com todos que poderiam encontrar seu anel. Por uma obra do destino, Poppy encontra um celular novinho na lata de lixo e, estando na lixeira, ela conclui que é propriedade pública. Logo, pega o aparelho. O qual, posteriormente descobre que era da assistente de Sam, o qual devido à insistência de Poppy, concorda em deixá-la ficar com o aparelho até ela solucionar a questão do anel, desde que encaminhe seus e-mails profissionais para o seu e-mail pessoal. Todavia, Poppy começa a ler os e-mails e a se intrometer na vida de Sam.

    Não é que eu esteja lendo os e-mails inteiros nem nada. Nem lendo os e-mails anteriores. Nem criticando as respostas dele e reescrevendo-as na minha cabeça. Afinal, não é da minha conta o que ele escreve ou não. Ele pode fazer o que quiser. Moramos num país livre. Minha opinião não vale de nada... Meu Deus, as respostas dele são curtas e grossas! Ele está me irritando! Será que tudo precisa ser tão curto? 
    Foto: arquivo pessoal


    Poppy é uma personagem extremamente hilária, totalmente desastrada e possui a capacidade de justificar seus erros com uma teoria própria, um exemplo disso foi ter achado um celular no lixo e ao invés de procurar um dono, fica com o aparelho dizendo que lixo é propriedade pública. Outro ponto alto da personagem é ser fã de Agatha Christie, assim, estando sempre frisando que Poirot já teria solucionado o mistério do anel.

    O problema é que não tenho certeza se Poirot tomou três copos de champanhe rosé e um mojito antes de solucionar o assassinato do Expresso do Oriente.
    Poppy também é aquele tipo de garota que está sempre preocupada com os que as demais pessoas vão pensar dela, assim, sempre tenta agradar as pessoas, mesmo que precise fingir ser o que não é para isso. Sobre os demais personagens, acho que poderia ser trabalho mais o relacionamento entre Poppy e seu noivo, embora acredito que o foco do livro seja o sumiço do anel e as confusões que ela se mete desde então.

    Como vou sobreviver ao natal todos os anos? E se nossos filhos forem superinteligentes e eu não conseguir entender o que eles estão dizendo e eles me desprezarem porque não tenho doutorado?
    Sobre a escrita da Sophie Kinsella, adoro essa autora, é simples e faz o leitor dar risada com o livro. Apesar do livro ter bastantes páginas foi uma leitura rápida e fluida.
    Já conheciam o livro? Pretendem ler? Já leram algum livro dessa autora? Comentem.

    04/11/2015

    A morte e os seis mosqueteiros (resenha)

    Olá leitores,

    "A morte e os seis mosqueteiros" é um drama escrito por Anatole Jelihovschi, publicado pela editora Jaguatirica em 2014 e contém 140 páginas. A obra é narrada em primeira pessoa por Zequinha, o qual relata sua vida na favela. Quando novo, a rotina na favela não passava de uma brincadeira para ele e seus amigos, intitulados "os seis mosqueteiros". Porém, já na vida adulta, ele consegue enxergar a rotina de crimes e perigos.

    Foto: arquivo pessoal


    Éramos seus moleques que andavam sempre juntos. Eu, Juca Pelo de Burro, João Mocotó, Zé Grande (eu era o Zé Pequeno ou Zequinha), Batata e Meia Noite. A gente aprontava de tudo. Soltava pipa, jogava bola, roubava, ia à praia e entrava nos trens pela janela. 
    Conforme o tempo passa, Zequinha acaba se distanciando dos amigos de infância. Quando  os reencontra, descobre que eles se tornaram criminosos. Inclusive tentam persuadi-lo para seguir o mesmo caminho. Contudo, ele sonha em estudar, trabalhar e sair da favela onde vive. Nesse ponto, é interessante observar aquela teoria do determinismo do meio, será que nascemos com essa personalidade feita ou somos moldados de acordo com a cultura presente na sociedade em que vivemos?

    Anoitecia com um brilho trêmulo no ar, como se nada à volta fosse sólido, tudo enfumaçado, um cheiro insuportável de álcool rançoso, comida estragada, e aquelas bocas desdentadas rindo e catando lixo para comer.
    A narrativa é formada por frases curtas e simples, o que nos passa uma impressão de que o narrador conversa com o leitor. Vale ressaltar que em determinados momentos temos o protagonista relembrando cenas de sua infância.
    É uma obra extremamente pesada, pois retrata temas como pedofilia, morte, tiroteios e pobreza. Claro, nada que não exista na vida real, todavia, ler alguém relatando isso, foi um choque de realidade. A narrativa sendo linear e em primeira pessoa me deu medo do que vinha em frente pela obra, logo, minha leitura foi lenta. Conclui-se que a obra é tão boa que é capaz de despertar sentimentos no leitor, tal como o medo que eu tive. 

    Esse livro foi cedido pela editora (obrigada!) para uma Booktour. Confira a resenha da Helena aqui. Próximos blogs a receber o livro e resenhar:


    Vocês gostam desse tipo de livro? Se interessaram pela leitura? Comentem. 

    20/10/2015

    Morando Sozinha (resenha)

    Olá leitores,

    A obra "Morando Sozinha" foi escrita pela blogueira e youtuber Fran Guarnieri, publicada pela editora Belas Letras em 2015 e contém 156 páginas. Vale ressaltar que é ilustrado.
    O livro nada mais é que um compilado de dicas já dadas pela autora em seu blog, o morando sozinha.

    Foto: arquivo pessoal

    Inclusive as imagens são as mesmas que estão no blog e em determinados momentos ela solicita que o leitor acesse o site para informações mais detalhadas.
    No livro, a autora narra sua experiência de como foi morar sozinha, citando suas dificuldades e dando dicas para quem pretende passar pela experiência. É interessante frisar que contém listas tais como: sugestões para a primeira compra de supermercado, que utensílios domésticos se precisa ter de imediato e o que você pode comprar posteriormente. Nem todos os itens citados pela autora, eu concordo, contudo, são sugestões, isto é, basta adaptar a lista de acordo com a sua realidade. 
    Além disso há dicas de como organizar o orçamento e a limpeza da casa. O que eu achei muito válido.

    A gente tem a ideia de que a nossa vida será igual ao The Sims (aquele jogo viciante que você controla a vida de outra pessoa e passa mais tempo decorando/contruindo a casa do que jogando efetivamente). E é aí que muitas garotas começam a cometer os primeiros erros.
    Outro ponto interessante é o fato de que o livro possui um capítulo só para falar da divisão de apartamento.

    Foto: arquivo pessoal

    A obra é ideal para quem pretende morar sozinha, pois conta o passo a passo de todo o processo, ou seja: o antes, o durante e o depois. Entretanto, não recomendo para aquelas pessoas que já moram sozinhas há algum tempo, pois certamente já tem conhecimento do assunto. Já indico para pessoas como eu, que não pretendem morar sozinha, mas certamente quer morar junto com alguém um dia. Visto que dicas de limpeza e organização financeira e da casa são válidas. Além disso, as histórias contadas no livro nos fazem rir, logo, apesar dos ensinamentos, a obra não é toda séria. É uma leitura descontraída.

    Foto: arquivo pessoal

    A linguagem da autora é tão simples que parece que está conversando com o leitor. A edição é bem caprichada, colorida e com ilustrações.
    Vocês já leram o livro? Gostaram? Pretendem morar sozinhas? Acompanham o trabalho da Fran Guarnieri? Comentem.

    30/09/2015

    O Poeta da Madrugada (Resenha)

    Olá leitores,

    O livro traz poemas de vários momentos
    da vida de Alceu Valença.
    A resenha de hoje é sobre o livro O Poeta da Madrugada, do cantor Alceu Valença. Lançado este ano pela Chiado Editora (parceira do blog), o livro de 108 páginas traz poemas escritos em vários momentos da vida de Alceu, tendo alguns inclusive sido transformados em música, como é o caso de Anunciação.
    Dividido em duas partes, “Quase uma biografia” e “Poetas das cidades, da solidão, do amor, do tempo e da saudade”, a primeira consiste de poemas que relembram as origens e lugares que marcaram a vida do poeta, abordando detalhes de cidades como São Bento da Una, Recife e Rio de Janeiro.
    Com um enfoque mais reflexivo, a segunda parte do livro traz versos que falam mais sobre vida, amor, filosofia e tempo, mas algumas referências a lugares continuam aparecendo. Desta vez, ele traz versos inspirados em Olinda e Lisboa.
    Embora eu não seja muito fã de poesia, eu gostei muito de algumas reflexões que ele faz nos poemas. A forma como ele aborda o tempo e amor passam longe de ser clichê, dá para nós nos identificarmos com os questionamentos dele.
    Dentre a série de poemas, o que mais me chamou a atenção foi Relação entre o Cristianismo e o Marxismo, ainda mais depois que eu soube como os versos foram criados. Alceu escreveu esse poema quando cursava faculdade de Direito, durante a prova de um concurso cujo objetivo era levar para Harvard alunos que pudessem discursar sobre A Sociologia e Desenvolvimento Econômico da América Latina.

    Relação entre o Cristianismo e o Marxismo


    Quando a Senhora de Preto

    Me enlaçar em seus braços gélidos
    E meu corpo for pouco e pouco se consumindo
    Pelo chão que me foi dado,
    Quero evaporar-me
    E, docemente, subir aos céus.

    Os parentes e amigos
    Estarão à sala de espera.
    Beijarei um a um,
    Trocarei a camisa suada
    E sairei para uma volta
    Nos arredores.


    Verei negro americano

    De braço dado com donzela
    De descendência nórdica.
    Verei árabes e judeus
    Discutindo, amigavelmente,
    Sobre a bolsa do Senhor.


    E depois de percorrer

    Todas as dependências do Paraíso,
    Chamarei o “chaveiro” em particular
    E mui confidencialmente lhe perguntarei:
    - Pedro, meu velho, aqui tem dedo de Marx?

    Vocês já leram o livro? Pretendem ler? Me contem nos comentários
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