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    Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens

    04/09/2017

    Os feiticeiros, de Thaylane Ramos (resenha)

    Olá, leitores!

    Fazia tempo que não encontrava uma fantasia tão boa e que me despertasse a vontade de continuar lendo para saber o final. "Os feiticeiros" foi escrito pela brasileira Thaylane Ramos, publicado de forma independente em 2015, contém 295 páginas e o primeiro volume da série "entre mundos".

    Foto: arquivo pessoal

    A obra conta a história de quadro amigos: Alma, Ellen, Rodrigo e Jason, que dividem igualmente o protagonismo. Eles levam uma vida normal de adolescentes até a noite de formatura do ensino médio. Na festa, as meninas vão a uma cartomante que acerta tudo e no dia seguinte os quatro não lembram de nada, nem que se conhecem. Até que encontram um senhor, que lhes revela que são feiticeiros e então eles vão para Magic's House, uma escola de magia. Agora, você, caro leitor, deve estar pensando que já viu este enredo (pessoas que levam uma vida comum até descobrirem que tem poderes) em algum lugar, sim, eu também associei a Harry Potter (como fã é impossível não lembrar), pelo menos no começo da leitura, depois me habituei e me encantei com o universo criado por Thaylane Ramos, que por sinal, é bem distinto. A escola em nada lembra Hogwarts e ela mistura mitologia grega com feiticeiros de uma forma muito interessante, é nítida a pesquisa feita por ela para introduzir personagens como Zeus, Hades, entre outros.

    O mundo. Esta carta simboliza o poder que você tem de mudar o mundo, você poderá mudar o destino da vida de algumas pessoas, então tome cuidado a cada decisão que tomar, pois isso poderá mudar tudo.

    Outro ponto positivo é que os personagens são bem completos, tanto os protagonistas como os secundários, a parte física deles é bem descrita e a personalidade é muito bem trabalhada. Podemos diferenciar quem é quem só pelas atitudes tomadas, pois são bem distintos uns dos outros. Com referencia aos protagonistas: gostei muito das meninas (Ellen e Alma), adorei a cumplicidade que elas possuem. Não gostei de Rodrigo, mas acredito um personagem criado para que não tivesse o carinho do leitor. Sabe aquele personagem chato? Que se acha? Pois é, este é o Rodrigo.

    Droga... por que mesmo você é a minha melhor amiga? Talvez seja porque você é a única pessoa no mundo que me entende sem ter de te dizer uma única palavra, que saco!

    A história tem momentos de ação, aventura e até romance, considero completa e com os capítulos finais de tirar o fôlego: não conseguia parar de ler e tinha que saber como termina. Só senti falta de uma explicação mais detalhada da origem deles como feiticeiros, mas acredito que isso possa ser melhor trabalhados nos próximos volumes da série.
    Já leram? Pretendem ler? Gostam de fantasia? Comentem.

    05/08/2017

    A noiva devota, de Mari Scotti (resenha)

    Olá, leitores!

    "A noiva devota" é um romance de época, e o segundo volume da série da Família Hallinson, que se inicia com "Montanha da lua", escrita pela brasileira Mari Scotti, parceira aqui do blog, e contém 248 páginas. Nesta sequência, Mical e Octávio dão lugar a Samuel e Rosalina. Samuel é o filho mais novo do casal e carrega o peso de ser um Hallinson, filho de uma lenda: o casal que com o amor venceu uma maldição. Mas por ser o mais novo, não tem tantas responsabilidades, não vai herdar as responsabilidades do pai. Samuel não pretendia casar tão cedo, até que, em um baile, vê Rosalina Acker sufocada com a roupa apertada e ao tentar ajudá-la é flagrado despindo a moça. A mãe de Rosalina, Margarida Acker, vê essa como uma boa oportunidade para casar a filha com um Hallinson. Já Samuel aproveita a oportunidade para se aproximar de Isabel Acker, a irmã mais velha de Rosalina, por quem tem uma atração física. Além disso, Rosalina é apaixonada por Samuel desde criança, visto que ele brincava com o seu irmão Romoaldo.

    Eu era filho de uma lenda. E precisava superar expectativas além da minha própria capacidade.
    Foto: arquivo pessoal

    Sonho com Samuel Hallinson desde que o vi comprando botas com o irmão mais velho há mais de dez anos e penso nele quando penso em um matrimônio feliz.
    Então, a história vai se desenrolar em torno do noivado. É um enredo que parece simples à primeira vista, mas é muito bem trabalhado e desenvolvido com todos os detalhes que um romance de época precisa para te fazer entrar na história. É nítido que a autora fez uma pesquisa bem detalhada a respeito dos costumes da época, visto que os descreve muito bem.

    Os recitais e concertos caseiros não eram raros, mas também não ocorriam em dias comuns. Segundo a etiqueta, deveriam ser anunciados com convites de tecido especial e para os nomes mais conceituados da cidade.
    Foto: arquivo pessoal


    Todos os personagens são bem desenvolvidos, inclusive os secundários, gostei muito de ver Mical no papel de mãe dedicada, continua madura. Já Octávio, não gostava muito do personagem e ele não mudou muito hehe, continua o mesmo, mas foi bom recordar. A narrativa é feita em 1ª pessoa se revezando entre os protagonistas: Samuel e Rosalina. Eu, particularmente, gostei muito mais da Rosalina: acredita no amor, não é interesseira, nunca culpou Samuel pelo noivado ter acontecido, e vale ressaltar que, como boa parte das mulheres, é insegura com o seu corpo, visto que manca. Enfim, é uma personagem que é fácil de se identificar e se apegar. O outro protagonista, Samuel, é confuso com os seus sentimentos e indeciso, confesso que tive raiva dele em alguns pontos da leitura, assim como tive do seu pai, Octávio, em "Montanha da Lua".
    Novamente Mari Scotti me surpreendeu, mostrando uma evolução na sua narrativa e me fazendo entrar em sua história. Já leram a obra? Pretendem ler? Comentem.

    14/07/2017

    Dois Mundos: Tesouros da Tribo de Dana, de Simone O. Marques




    Olá, leitores, tudo bem?

    Aqui é a Esther, e hoje trouxe a resenha do livro Dois Mundos:Tesouros da Tribo de Dana, que a editora Butterfly nos enviou.

    Informações do livro:
    Título: Dois Mundos- Tesouros da Tribo de Dana
    Autora: Simone O. Marques
    Número de páginas: 253
    Literatura brasileira - Romance

    Sinopse:
    Num futuro distópico, Marina é uma jovem brasileira que carrega a força e os poderes de três grandes deusas celtas. Ela é aquela que cria, acolhe e mata. Protegida por guerreiros, perseguida por mortais e desejada por deuses, precisa encontrar os míticos tesouros da Tribo de Dana se quiser salvar o que restou do mundo... Ano de 2021. A Terra está devastada e poucos são os sobreviventes. No Brasil, grupos se reúnem em pequenas vilas em torno da água potável. O oásis neste caos fica na Chapada dos Veadeiros, na Fazenda Tribo de Dana, onde vive um povo guerreiro que acredita tudo ser parte dos planos da Grande Mãe. Neste paraíso vive Marina. Considerada o avatar de três grandes deusas celtas, precisa lidar com poderes diversos de cura, vida e morte. Ao abrir o véu que separa o mundo de mortais e deuses, a jovem liberta antigas divindades. E dois domínios distintos estão prestes a colidir quando ela descobre que detém nas mãos o destino da humanidade.



    Resenha:

    Marina, uma jovem menina, que carregava consigo o poder de 3 Deusas. Marina/Pequena Dana é apenas um avatar para a Deusa Celta Dana. 5 anos após uma destruição total, com terremotos e tsunamis, ela teve de morar na Fazenda Tribo de Dana, onde os costumes eram diferentes e Marina devia de se acostumar. Convivia com todos a chamando de Pequena Dana e atendendo a todos os pedidos que a jovem menina fazia.

    A Pequena Deusa contava com guardiões que a espionavam de longe, para manter sua segurança, eram esses: Brian e Artur, que eram treinados especialmente para proteger Marina. Teimosa que só ela, a Pequena Dana entrou junto com seus Sombras, os guardiões, no Sídhe ( lugar onde ficavam os mortos e portal para o Outro Mundo), eles ficaram então presos debaixo do tal lugar que parecia assustador. Sem conseguir dali, Marina teria que buscar os tesouros de sua tribo, ou todos da mesma, morreriam e tudo seria destruído. Marina e seus Sombras vão atrás dos tesouros, mas eles não são fáceis como parece.


    Já em São Paulo, Pedro era o oráculo de Marina, tinha visões com ela, e na maioria da vezes, não eram visões nada boas. Pedro decide pedir ajuda para seu tio e foi em busca da jovem avatar. No caminho, ele encontra Liban, uma menina que era maltratada e aparentemente traumatizada, e junto dela, havia um cachorrinho muito carinhoso, o Merlin. Que logo depois foi essenciais para ajudar Pedro em busca de Marina.

    A história é contagiante e a linguagem é bem simples de ser compreendida. Os personagens são cativantes. Tudo bem místico, e já vou contando que vai ter um pequeno romance de Marina com um dos sombras, quem vocês acham que é? O livro é narrado em terceira pessoa. Recomendo muito a leitura deste livro, li em duas semanas e o carreguei para todos os lugares. Parabéns para a autora e para a editora Butterfly. Infelizmente, o único fato que me chateou, foi que ainda não tem continuação, e eu fiquei mega empolgada para o próximo.



    E aí, gostaram? Com quem vocês acham que Marina vai ficar? Será que ela conseguirá todos os tesouros? Me contem nos comentários o que vocês acham. Um superbeijo e até a próxima.

    24/05/2017

    Lançamento: nunca olhe para dentro, de Amanda Ágatha Costa

    Olá, leitores!

    A autora, parceira do blog, Amanda Ágatha Costa está lançando um livro novo, trata-se de "Nunca olhe para dentro" previsto para agosto/setembro. Vamos conferir a capa e a sinopse:

    Nunca olhe para dentro (Amanda Ágatha Costa):

    Nem sempre a vida é colorida como um quadro ou suave como uma pincelada, às vezes é o contrário de tudo isso. Depois de perder os pais em um acidente de carro aos oito anos de idade, a única coisa que Betina precisa fazer é encontrar o responsável por ter destruído sua família na noite que daria início à sua próspera carreira como pintora. Agora longe dos pinceis e das paletas, ela está focada em terminar a primeira graduação e procurar na justiça um pouco de consolo para o caos que o seu passado ainda traz. Ao lado de seus amigos e sob o teto de uma tia que a detesta, ela perceberá de que cores as pessoas são feitas, e do quanto é realmente necessário olhar para dentro de tudo aquilo que a assombra, mesmo que para isso precise passar por uma inesperada decepção.

    Créditos: Amanda Ágatha
    O que acharam da capa e da sinopse? Comentem.

    09/05/2017

    A escolhida, de Amanda Ágatha Costa (resenha)

    Olá, leitores!

    "A escolhida" foi escrito pela Amanda Ágatha Costa, publicado pela editora Arwen em 2015 e contém 369 páginas (dados retirados do e-book, pode haver mudanças em relação ao livro físico). Este foi o primeiro livro com o tema anjo que li, então estava ansiosa para conhecer a temática.
    A protagonista da obra, Ariali, ou apenas Ari, como prefere ser chamada, é um anjo, mas não um bondoso como costumamos conhecer. Ela tem um lado mau e costuma sentir prazer em matar, por isso é banida do céu.

    - Você é uma banida, afinal. Não sei como não notei antes. Deveria saber que os integrantes da sua espécie não são capazes de hipnotizar determinadas criaturas. Vampiros estão incluídos nesta lista.
    Foto: arquivo pessoal

    Um dia, em uma de suas caçadas rotineiras, ela é sequestrada e levada para um círculo, uma espécie de sociedade de feiticeiros, liderado por Egran, um poderoso feiticeiro que a obriga a cumprir tarefas para ele. Caso fracasse, ela morre. 

    A vida no círculo pode ser agradável se você aceitar que ela seja.
    É neste círculo que ela conhece Luke, com o qual desenvolve um romance; devo ressaltar que é uma história bem trabalhada pela autora e que nos encanta e faz torcer pelo casal. O que nos fascina é a personalidade diferente dos dois: Ari é explosiva e teimosa e o Luke, calmo.

    Não tenho família, nem imagino de onde venho. Matar é o meu maior desejo e o único que não deixo de colocar em prática. [...] Sou o nada e o tudo, o perdão não é acumulado em minha carne e as emoções não invadem o meu coração. Sou a própria rocha.

    Foto: arquivo pessoal

    Um dos pontos altos da obra é o fato dos personagens serem muito bem desenvolvidos e humanizados, ou seja, todos eles têm qualidades e defeitos, não são 100% maus ou bons. Devo ressaltar aqui a nossa protagonista que mesmo sendo anjo, conseguimos nos identificar com ela.
    Além disso, o ambiente e a história são bem desenvolvidos, porém, por algum motivo inexplicável, não conseguiu prender a minha atenção. Já vi vários comentários dizendo que leu rápido porque não conseguia parar de ler, bom, não foi o meu caso, talvez não estivesse na "vibe de ler fantasia" no dia. Mas concluo dizendo que é uma história muito bem desenvolvida e recomendo.
    Já leram? Gostaram? Pretendem ler? Comentem.

    04/02/2017

    Montanha da Lua, de Mari Scotti (resenha)

    Olá, leitores!

    "Montanha da Lua" é um romance de época escrito pela brasileira Mari Scotti e foi publicado pela Amazon em 2015, sendo o primeiro volume da série da Família Hallinson. A trama gira em torno da maldição dos Hallinson, que, quando casam, suas esposas dão à luz a um menino logo no primeiro ano do casamento e acabam morrendo. Após ficar viúvo, Octávio Hallinson optou por se isolar na Montanha da Lua e levar uma vida simples, apenas caçando para viver.

    A cidade era repleta de histórias sobre como os Hallisons enlouqueciam suas esposas após o casamento, exigindo o herdeiro no primeiro ano de matrimônio.

    Foto: arquivo pessoal

    Octávio me incomodou um pouco, ele teme a maldição mais que tudo e isso o impede de viver e faz com que tome atitudes erradas. Apesar disso, consegui compreender seus motivos.
    A protagonista do livro é Mical, uma mulher forte e decidida, que já passou dos 30 anos,  é considerada uma solteirona, mas sempre disse que só se casaria por amor. Apesar disso, sempre desejou ser mãe, embora visse esse sonho como longe de se concretizar.

    Renunciei ao matrimônio sem amor, sou vista com maus olhos pelas senhoras de toda a região.
    O encontro dos dois ocorre de forma inesperada por meio de um acidente que Mical sofre, acaba por sendo salva por Octávio e fica aos seus cuidados na Montanha da Lua. Confusa, a princípio pensa que ele é um sequestrador querendo o seu resgate, mas logo vai conhecendo e vendo o seu lado bondoso.
    A trama é narrada em primeira pessoa, alternando a narrativa entre o casal protagonista, com direito a capítulos narrados por outros personagens, incluindo um emocionante da tia de Mical. Na maioria das vezes, Octávio conta o que já foi narrado por Mical, mas se engana quem pensa que isso torna o enredo repetitivo, na verdade explica o ponto de vista dele em relação aos acontecimentos, o que faz com que o leitor entenda melhor o enredo e os personagens, que, vale ressaltar são bem construídos.

    Foto: arquivo pessoal

    Devo ressaltar, também que o livro contém cenas hots, algumas até desnecessárias na minha opinião, mas nada que comprometa a brilhante trama construída por Mari Scotti. A leitura é fluida, possui uma linguagem fácil, e o enredo é envolvente, é aquele tipo de livro que quando você vê já está no final e fica com pena de terminar porque é muito bom. Apesar de ter uma continuação, a história termina neste volume, pois o segundo livro trata-se de outro Hallinson.
    Já conheciam a obra? Pretendem ler? O que acharam da resenha? Comentem.

    28/12/2016

    Místicos: alma perdida, de Ellen Savvy (resenha)

    Olá, leitores,

    "Alma Perdida" foi escrito pela brasileira Ellen Savvy em 2016, publicado de forma independente e tem 411 páginas. A obra se mostrou uma grata surpresa por causa da fantástica narrativa, já comecei a me apaixonar pelo livro nas primeiras páginas. A obra conta a história de Elena, uma médica oncologista que foi criada em um orfanato e que conseguiu se formar graças a um doador anônimo que viu seu potencial.

    - Eu cresci em um lar de adoção, nunca fui adotada e a minha história começa comigo mesma, não tenho origens conhecidas. Tive sorte pois, se hoje sou uma cirurgiã e oncologista, foi porque alguma Alma, caridosa e anônima, viu meu potencial e custeou meus estudos. Fui escolhida e isso faz toda diferença em minha vida.

    Foto: arquivo pessoal

    De repente, Elena começa a ter pesadelos estranhos e surgem dois homens na sua vida que confundem seu coração: Seth, um novo médico em seu hospital, e Evan, um cantor de uma banda famosa, símbolo sexual entre as mulheres. O que Elena não sabe é que ambos são seres místicos que estão ali para protegê-la. A narrativa se reveza entre os três personagens protagonistas: os dois místicos, contando o que de fato está acontecendo, e Elena, tentando seguir sua vida normal com o projeto social que faz com as crianças com câncer. Apesar de se tratar de um tema delicado como câncer a história não é triste e não classificaria como um drama e sim como literatura fantástica.

    Matt era um caso especial para mim, um menino lindo, que tinha leucemia. Nós tínhamos algo em comum, ele estava sendo criado no mesmo orfanato em que vivi, grande parte da minha vida. Graças a uma de minhas ações sociais, ele tinha um leito em nosso hospital, que era um dos melhores da costa leste.

    Foto: arquivo pessoal

    É nítida a pesquisa que a autora realizou para escrever a obra, tanto na parte da rotina dos trabalhadores do hospital quanto na parte mística, que envolvem almas, profecias e vários seres mitológicos que até então eram desconhecidos para mim. Ao final do livro temos um pequeno dicionário de criaturas místicas presentes na história, o qual auxilia o leitor a se conectar com o enredo apresentado.
    A história é bem desenvolvida, prende a atenção do leitor para saber o que vai acontecer a seguir, e  possui personagens cativantes. Acredito que o fato de ser narrado em primeira pessoa por cada um é um acerto da autora, pois faz com que o leitor entenda o ponto de vista deles e se apegue aos personagens. Elena é uma boa protagonista, apesar de ter sofrido por ser órfã, não é aquela mocinha coitadinha, é forte e guerreira, adorei os capítulos narrados por ela. Recomendo o livro para todos que gostam de literatura fantástica e triângulos amorosos.

    Links para a compra:


    Gostaram do enredo do livro? E da resenha? Pretendem ler? Gostam de literatura fantástica? Comentem.

    26/08/2016

    Mentira perfeita, de Carina Rissi (resenha)

    Oi, pessoal! Aqui é a Haidy.

    A mentira perfeita é um spin-off de “Procura-se um marido” de Carina Rissi, mesma autora da trilogia “Perdida”. Lá pela metade de Procura-se um marido, somos apresentados ao irmão de Max, Marcus Cassani, que se apresenta como parte central nessa trama.
    Ao contrario do primeiro livro, “A Mentira Perfeita” não apresenta apenas o ponto de vista de um dos personagens, aqui tanto Marcus quanto Júlia vão narrando suas histórias, suas dificuldades e como se conheceram. É um típico chik-list , porém, em minha opinião, bem mais trabalhado do que o livro que lhe deu origem. Vemos também um pouco do relacionamento de Alícia e Max, a volta com o casamento deles e com a catástrofe que o antigo advogado da família deixou pra trás.

    Créditos: Verus Editora

    O enredo:

    Alheio a tudo isso, está Marcus, que decide morar sozinho, pois está em fase de tratamento para possibilitar o retorno de sua mobilidade, perdida em um acidente de moto. Mas, a coisa está desandando, pois seus pais e Max não querem deixa-lo de jeito algum, e apresentam uma condição: ele pode morar sozinho, desde que contrate uma cuidadora. Marcus não quer uma babá e decide mentir: precisa que alguém finja que é cuidador(a) e o deixe em paz, apenas existindo para ser apresentado a família quando necessário. Assim, quando Marcus é apresentado a Júlia, que trabalha na L&L, a empresa de Alícia, em um happy hour, percebe que pode fazer um acordo que ajude a ambos. Aí você já sabe, o resto se desenrola e Júlia está socialmente morta, sua vida é literalmente da casa para o trabalho e do trabalho para a casa, sua mãe a deixou quando muito pequena, e quem sempre cuidou dela foi sua tia Berenice, uma incorrigível romântica. Tão viciada em livros e filmes de amor, quanto em comida de auto teor de gordura. E é por isso que a tia “Berê” precisa de um coração novo. Sua tia vive preocupada porque a garota nunca namorou e tem medo de que morra sem que Júlia se case. Numa tentativa de fazer a tia ficar mais tranquila e não morrer de desgosto, ela acaba mentindo que está namorando. O que ela não esperava era que a tia se recuperasse milagrosamente para planejar seu casamento.

    Personagens centrais:

    Marcus é o total oposto de Max, que era todo certinho, tímido e trabalhador. Apesar de suas limitações, ele vive alegre, sai para beber com os amigos e vive às voltas com várias mulheres, faz faculdade de programação de games e trabalha na fundação Narciso, como professor. No enredo, ele quer sua independência por que está nos estágios finais de seu tratamento, que dirá se ele voltará a andar, ou não. Júlia é apresentada como uma geek com total falta de traquejo social, trabalha como programadora júnior, gosta de ler obras de alto padrão e ama vídeo games. Em seu trabalho é supercompetente e a qualquer hora do dia e da noite, caso o site da empresa apresente um problema, ela vai até lá corrigi-lo. Ama sua tia, como se fosse sua mãe e vive com medo de que ela morra do coração. Só teve um namorado “O cara do Wi-fi”. Como é totalmente desligada, nunca trata Marcus com cautela ou olhar de pena.  Para ela Marcus se vira muito bem e não precisa de ajuda.

    E tem a tia Berenice...


    Nesse caso a impressão é de que Júlia precisa cuidar de uma criança e quase sempre ao voltar para a casa, ela se depara com alguma situação inesperada que sua tia causou. A primeira foi contratar um serviço de casamento em uma mega empresa com direito a fontes de champanhe, pombos e tudo o mais. Pois é, economias de uma vida inteira. Mas para ela tudo é possível. Mesmo com todas as confusões ainda assim consegue ser um dos personagens mais legais da trama. Acho que ela é a tia dos sonhos de qualquer um.

    Créditos: Verus

    É um romance leve e cômico, e Marcus e Júlia formam um casal engraçado e inesperado, com muito mais carisma do que Max e Alícia, o que é surpreendente.
    Assim, concluo que Carina Rissi desenvolveu surpreendentemente sua escrita, desde o primeiro livro, então, é claro, a expectativa é de que seus próximos livros sejam tão bons quanto esse foi.
    Deixo vocês por aqui, e espero que tenham gostado da Resenha, eu pessoalmente amo quando escritores nacionais conseguem ser tão bons quanto os internacionais, e Carina Rissi com certeza o é.

    12/08/2016

    Um novo amor à vista, de Cláudio Quirino (resenha)

    Olá, leitores!

    "Um novo amor à vista" é um click-lit, escrito pelo brasileiro Cláudio Quirino, publicado pela Madras Hot em 2015 e contém 165 páginas.

    Foto: arquivo pessoal

    Nele conhecemos Darla, uma mulher de vinte e nove anos, que acaba de ser abandonada pelo namorado, Greg, com que namorava a seis meses e jurava ser o cara certo, além disso, descobre ter sido traída! Uma das primeiras coisas que ela faz é tentar comprar um livro de romance para se distrair (me identifiquei) mas seu cartão é recusado por conta das dividas. Apesar de tudo isso, a vida continua e Darla se vê obrigada a seguir com sua rotina normal, ou seja, tem que ir trabalhar. Ao chegar atrasada na loja de cosméticos é chamada na sala do chefe, mas ao invés de ser demitida como imaginava, ganha uma bonificação como melhor funcionária: uma viagem com tudo pago e mais um dinheiro para gastar nela! Darla escolhe ir para Florianópolis e vê essa como uma oportunidade ideal para esquecer dos problemas.

    Livro. Livro. Livro. Pensando bem, posso facilmente substituir os créditos do meu celular por um livro de cabeceira.
    Ela se vê perdida na capital de Santa Catarina por não conhecer a cidade, logo, faz amizade com Bruna, uma vendedora que a convence a aproveitar o máximo essa viagem, então, acaba levando Darla para um clube de mulheres.
    Darla é uma protagonista com a qual as mulheres vão se identificar facilmente, afinal, adora comprar e tem dificuldades com as finanças, é insegura em com relação ao seu corpo, e também sofreu uma decepção amorosa (quem nunca?). Como é narrado em primeira pessoa,  aliás a narrativa ficou muito bem feita pelo Cláudio, o leitor acaba se identificando e entendendo a cabeça da Darla, isto é, se envolvendo com ela e com as confusões em que se mete.

    Meu Deus, sou terrivelmente a abobrinha das abobrinhas. Abobrinha = tapada (unidade solitária. Abobrinhas = universo matemático das tapadas (milhares de unidades, é claro).
    Foto: arquivo pessoal

    Tendo uma protagonista que adora compras fica inevitável não comparar com a Becky Bloom, da Sophie Kinsella, porém, são personagens distintas, acredito que a Darla não seja tão dependente de homem como a Becky, essa última chega a se menosprezar para agradar o Luke. Mas ambas são atrapalhadas e inseguras, isto é, se você gostou da Becky, provavelmente também irá adorar a Darla.

    Ah, minha santa protetora das mulheres sem limites no cartão de crédito, compras não! Esmoreço vagarosamente, tentando afastar a imagem daquelas vitrines.
    Esse é tipo de obra que dá para ler em um dia, visto que a linguagem é fácil e o livro possui poucas páginas, prende a atenção do leitor e também nos faz dar risadas.  Com respeito a edição: a letra é do tamanho ideal e as folhas são amareladas. Vale ressaltar que no início de cada capitulo temos uma ilustração relacionada com o universo feminino.
    Já leram o livro? Gostaram? Pretendem ler? Gostam de chick-lits? Comentem. 

    26/07/2016

    O amor nos tempos de ouro, de Marina Carvalho (resenha)

    Olá, leitores!

    "O amor nos tempos de ouro" foi escrito pela brasileira Marina Carvalho, publicado pela Globo Alt em 2016 e contém 327 páginas. Adquiri o livro por já conhecer o trabalho da autora e ter apreciado muito  a narrativa dela em "Simplesmente, Ana" e não me decepcionei, acredito que "Amor nos tempos de ouro" foi o melhor que li dela até agora.

    Foto: arquivo pessoal

    Nas primeiras páginas do livro temos uma nota da autora explicando a pesquisa realizada por ela para escrever este romance de época que se passa no Brasil. Durante a leitura é nítido o embasamento que a autora tem para escrever sobre isso, pois vimos a linguagem usada na época, tanto por índios, escravos ou até os fazendeiros. 
    O romance conta a história de Cécile, uma franco-portuguesa, que após perder os pais e irmãos, se vê a mercê de seu único parente vivo, um ganancioso tio. Este, após um acordo, a promete em casamento para Euclides, o cruel e poderoso dono de Terras em Minas Gerais. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile se encontra com Fernão, o encarregado de ajudá-la no trajeto até as Minas Gerais. Durante a viagem, acaba surgindo um sentimento entre eles. 

    Se essa fosse a verdadeira personalidade de Cécile, Fernão já calculava a intensidade do sofrimento a que ela seria submetida ao se unir ao mais poderoso, além de inescrupuloso, senhor das terras, minas e escravos da capitania das Minas Gerais.
    Foto: arquivo pessoal


    Cécile é uma protagonista forte, criada de forma mais moderna pelos seus pais, sempre quis casar por amor, por isso, não se deixa abater e tenta lutar contra seu destino. Está longe de ser a mocinha conformada, que aceita tudo, como estamos habituados a ver. Também se mostra humana quando vê as injustiças que ocorrem com os escravos e tenta se rebelar contra isso. Além disso, os demais personagens, inclusive os secundários, são bem desenvolvidos. A obra mostra a realidade da época, seus  pontos positivos e negativos. A escravidão é retratada por meio da personagem Malikah, uma escrava que engravidou do patrão. 

    - Úrsula, eu não me preocupo muito com que as pessoas pensam a meu respeito. Sou assim desde sempre. Nem mesmo maman ou papa conseguiram corrigir esse defeito em mim.
    Foto: arquivo pessoal

    A narrativa é predominantemente em 3ª pessoa, porém, temos as cartas que Cécile escreve para a sua falecida família, nas quais podemos compreender melhor os sentimentos da personagem com relação ao que está vivenciando no momento. Vale ressaltar que, no início de cada capítulo temos um trecho de obras de autores brasileiros consagrados, tais como: Carlos Drummond de Andrade e Gonçalves Dias. Me senti no Brasil de antigamente, as descrições foram tão bem realizadas que viajei para o passado através da leitura. (Se souberem de outro livro nesse estilo, que se passe no Brasil, me indiquem nos comentários).
    Já leram? Gostaram? Pretendem ler? Conhecem o trabalho da autora Marina Carvalho? Gostam de romances de época? Comentem.

    18/07/2016

    Um Amor, Um Café & Nova York (Resenha)

    Olá, leitores,

    O livro é dividido em três partes
    A resenha de hoje é sobre o livro Um amor, um café & Nova York. Lançada pela editora D’Placido em 2014, a obra de Augusto Alvarenga tem 168 páginas e conta a história do casal Guilherme e Camila.
    Tudo começa quando Guilherme resolve fazer uma surpresa para Camila no aniversário de três anos de namoro deles, no mesmo dia em que Camila faz 19 anos. Sabendo que o sonho dela é conhecer Nova York, ele compra passagens para que eles passem um mês na cidade.
    Como em toda bela história de amor, a viagem tinha tudo para ser maravilhosa. Mas a prioridades do casal mudam quando Camila se vê diante do maior sonho de sua vida, aquele que foi deixado de lado há muito tempo. Se resolver lutar por seu sonho, isso poderá mudar completamente não só a vida dela como a relação com Guilherme para sempre.
    O livro veio acompanhado
    de um marcador personalizado
    Embora eu tenha achado esse livro maravilhoso, em alguns momentos o excesso de romantismo me incomodou, assim como o fato da protagonista chorar por absolutamente tudo (me lembrou demais a Fani, de Fazendo meu filme).
    Fiquei curiosa também para saber se o autor já morou em Nova York ou conheceu a cidade, pois achei as descrições bem realistas. Outro ponto que eu gostei bastante foi o uso de trechos de música no início de cada capítulo, com certeza irei ouvir algumas músicas que eu não conhecia.

    E aí, vocês já leram esse livro? Pretendem ler? Me contem nos comentários

    13/07/2016

    Única, de Sayd Alcantara (resenha)

    Olá, leitores!

    O livro "Única" foi escrito por Sayd Alcântara, publicado pela editora Pendragon em 2016 e possui 139 páginas. A obra conta a história de Katherine, que vive na pobreza, com alugueis atrasados e um emprego ruim. Um dia, ela acorda em outro mundo, acaba descobrindo que é filha de uma deusa e tem mais onze irmãs. Essas doze garotas têm que competir entre si e a última que permanecer viva se tornará uma deusa. A protagonista, Katherine, aceita o que o destino lhe impõe, de modo que acaba se animando a matar suas irmãs, isso com uma facilidade surpreendente, o que me incomodou um pouco. Além de que me soou um pouco inverossímil essa vontade de tornar-se assassina apenas para se tornar uma deusa. Talvez eu fosse gostar mais se as garotas se unissem contra isso e lutassem.

    Foto: arquivo pessoal

    "Elas têm que estar prontas para a morte" - Ri ao me imaginar cortando o pescoço de algumas delas.
     Além disso, algumas garotas começam a morrer de forma misteriosa. Também há um segredo envolvendo as mortes e não são exatamente como parecem, mas não vou revelar para evitar spoilers.
    - Não importa quantas garotas matou, você continua sendo fraca - Tudo que ela dizia só me deixava enfurecida.
    Foto: arquivo pessoal

    Sobre a narrativa, é interessante mencionar que ela se intercala entre primeira pessoa, narrada pela Katherine, e em terceira pessoa, mostrando os demais acontecimentos. Embora haja a troca de capítulos para a alteração da narrativa. Com não há conexão entre uma coisa e outra, o leitor fica confuso. Além disso, os personagens não são contextualizados, ou seja, surgem do nada, sem que sejam bem apresentados, logo, não sabemos quem é quem. Também senti falta de descrições dos locais, não consegui me ver na história, as descrições ficaram apenas na aparência dos personagens.
    Concluo que o autor tem ideias boas, o enredo em si é interessante, porém, poderia ser melhor desenvolvido, de forma que o leitor pudesse entender melhor o universo criado por ele. Vale ressaltar que o autor tem apenas treze anos e creio que seja seu primeiro livro, logo, tem todo um caminho pela frente na literatura. Além disso, sendo o livro  "Única" primeiro volume de uma trilogia,  o enredo poderá ser melhor desenvolvido nos demais.
    O que acharam do livro? Gostam desse tipo de história? Comentem.

    06/06/2016

    Enigma: mundo interdito, de Rita Pinheiro (resenha)

    Olá, leitores!

    "Enigma: mundo interdito" foi escrito pela brasileira Rita Pinheiro, publicado pela editora Baraúna no ano de 2014 e contém 297 páginas.
    A história é protagonizada por Johnny, um jovem de 18 anos, morador em Franca - São Paulo, que leva uma vida sem se preocupar com futuro, realiza muitas festas e vive rodeado de mulheres. Quando um conhecido seu ganha uma viagem para a Flórida e não pode ir porque seus pais não autorizaram, Johnny compra a passagem dele e vai em seu lugar, se passando por ele. A história começa a ficar interessante quando o avião passa pelo triângulo das bermudas e cai em uma ilha, isto é, em Enigma. O que a princípio me lembrou de Lost, mas Enigma é muito diferente.


    Foto: arquivo pessoal

    O problema não é o mundo, e sim o comportamento das pessoas que vivem nele.

    Considero Enigma como o mundo ideal: os habitantes são unidos, se respeitam, preservam a natureza, não são preocupados com bens materiais e são evoluídos. Também é mágico: nos deparamos com sereias, bruxas e outros seres fantásticos ao longo da história. É interessante observar a visão que esses seres mitológicos tem do nosso mundo real. Com a queda, Johnny perde a memória e é auxiliado por Hera, mas, ele sabe que não pertence a aquele lugar e faz de tudo para retornar ao Brasil.
    Enquanto caminhavam, passavam por vários animais. Alguns, Johnny reconhecia do dia em que Hera lhe contara sobre a extinção. Os animais menores e peçonhentos se desviavam deles. Hera explicou a ele que os animais não atacam as pessoas, apenas se defendem, e eles sentem quando são respeitados. Johnny estava começando a gostar de aprender, porque Hera ensinava de maneira simples e clara, sem fazer com que ele se sentisse diminuído.
    Foto: arquivo pessoal

    A narrativa é feita em 3ª pessoa,  é feita de forma linear, com linguagem simples de forma a fluir a leitura, e mostra a visão de outros personagens além do Johnny,. Os locais presentes na trama são descritos de forma que o leitor consiga se sentir lá, mas não deixam a leitura cansativa.
    No mundo exterior existem muitas coisas que desviam a atenção das pessoas: os lindos carros, os arranha-céus, as luzes artificiais, a moda e muitos outros atrativos. É por isso que não se dá atenção para o universo. 
    Além de um livro que nos faz refletir, também há na obra aventura, fantasia, romance e ação. Vale ressaltar que ao longo da trama, o protagonista vai evoluindo como pessoa e aprendendo, com o lugar, a valorizar as pequenas coisas. É essa a mensagem que aprendi com a obra, aliás, recomendo a todos que leiam e aprendam com Enigma.
    Já conheciam o livro? Pretendem ler? Gostaram da resenha? Comentem.

    27/05/2016

    A Teoria do Medalhão, de Machado de Assis (Resenha)

    Fonte: A montagem é minha, com foto do Google. Disponível em: <https://kaabjihad.files.wordpress.com/2014/04/arte-corrupcao-11.jpg>. Acesso em: 23 maio 2016.
    Olá, pessoal!
    É provável que grande parte do povo brasileiro já tenha lido ou ouvido falar de Machado de Assis – aqui no blog, a Tainan já postou um de seus contos, o “Uma carta”. Grande escritor brasileiro, Machado de Assis é autor de obras como “Dom Casmurro”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Helena”, “Quincas Borba” entre outras, incluindo contos, crônicas e poemas. De seus contos, gosto muito de “O alienista” e “A Teoria do Medalhão”, pelas críticas que trazem. Este é o que comentarei desta vez. Já adianto que, mesmo sendo um conto (e, portanto, curtinho), há muito a ser dito. A obra pode ser facilmente encontrada online, mas a versão que li é esta.
    São seis páginas de diálogo (entre pai e filho), sem descrição alguma de ambiente ou pensamentos. O conto foi publicado em 1881, mas muitas de suas reflexões ainda hoje são úteis e permanecem vivas na sociedade. “A Teoria do Medalhão”, basicamente, é sobre um pai dando conselhos ao seu filho na véspera de seu aniversário de vinte e dois anos; sobre o que deve exercer futuramente, que atitudes tomar perante a sociedade, o que evitar etc.

    “Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante”.

    Apesar do vocabulário que pode dificultar um pouco a leitura, e nada que um dicionário não resolva, percebe-se uma visão interessante a que o pai passa ao filho. Como a citação acima, tem-se clara a perspectiva de vida com altos e baixos, mas que se precisa aceitá-los. Particularmente, fascinou-me o diálogo iniciar com esta visão da vida, ainda mais percebendo o que se desenvolverá depois; percebendo-se, afinal, o que pode ser a teoria do Medalhão. Também logo ao início, vemos que o pai deseja a carreira de Medalhão ao filho por não ter tido orientação quando ele era jovem.

    “Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade; faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além das esperanças que deposito em ti.”

    Isso muito remete à pressão social que os pais impõem aos filhos, isso é, dizer a eles o que devem ser; colocar expectativas e desejos sobre os filhos. Como se os filhos, muitas vezes, viessem ao mundo para realizar o que eles não puderam ser. Ao mesmo tempo, vê-se o desejo de melhora de vida; se não tive acesso a uma boa educação – por exemplo – quero que meu filho o tenha. É, afinal, o que move a sociedade, o desejo por condições melhores – claro que daí entra outra questão, como o desejo coletivo ou individual, mas é outro tópico, e deixo apenas a questão em aberto por aqui.

    “As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar, ou por qualquer outra, razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim”.

    A conversa flui, e, pelas falas do pai, vê-se que este espera que o filho não crie ideias próprias, pois isso é um perigo; deve-se utilizar de ideias já pensadas e escritas, circuladas pelo povo. Ser crítico, logo, era indesejável. Segundo ele, o filho deve ter um ar grave, educado, esperto, ser como que um símbolo social, utilizar até mesmo da publicidade. Em outras palavras, ter status, mas não ser inteligente. Conforto, mas não criticidade. Criar-se, portanto, uma zona de conforto. O que é, convenhamos, o que se espera que não se faça hoje em dia – pelo menos, é o que muito ouço no curso e grupos que participo.
    Isso me faz pensar: O que será que fazemos, criamos nossa zona de conforto, ou nos mexemos em busca de melhorias?

    “O passeio nas ruas, mormente nas de recreio e parada, é utilíssimo, com a condição de não andares desacompanhado, porque a solidão é oficina de ideias, e o espírito deixado a si mesmo, embora no meio da multidão, pode adquirir uma tal ou qual atividade”

    Esta citação, em particular a frase “a solidão é oficina de ideias”, me lembrou do livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley – leitura que fiz devido ao Clube o Livro para este mês de maio. Na obra de Huxley, buscou-se uma sociedade utópica, e, para isso, fez-se com que as pessoas não pensassem. Pensar era perigoso; para isso elas não deviam, jamais, permanecerem sozinhas. Porque “a solidão é oficina de ideias”, é espaço de reflexão, de se avaliar o que o cerca e do que está certo ou errado. É um espaço para pensar em si mesmo. Em “Admirável Mundo Novo” vê-se uma crítica estupenda sobre desejos utópicos, sobre divisão de classes etc. Esta, aliás, é uma leitura que recomendo (Caso não conheçam a obra, sugiro assistir a este vídeo da Beatriz, que é uma ótima apresentação da obra. ^^). Assim como também recomendo a leitura deste conto do Machado de Assis.

    Embora tenha sido uma breve resenha, espero que tenha conseguido passar ao menos um pouco da essência do conto, que mesmo datado de 1881 ainda perpassa questões tão atuais. Enfim, já conheciam o conto? O que acharam?
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