Olá, pessoal!
Há pouco
tempo fiz minha breve resenha de “
A Rainha Vermelha”,
o primeiro volume da série de Victoria Aveyard, e tive um pouco de dificuldade
para falar do livro, pois havia lido há algum tempo. Desta vez, tendo acabado
de ler o segundo volume da série,
Espada
de Vidro, trarei minha opinião logo após terminar a leitura. É a primeira
vez que faço resenha de uma continuação, e, infelizmente, não dá para falar de “Espada
de Vidro” sem contar grandes
spoilers
do primeiro livro (Tipo: Maven?).
Portanto, esta resenha tem spoilers do livro “A Rainha Vermelha”.
“Espada de
Vidro” é uma continuação direta do
primeiro livro, sem espaço de um dia ou algo do tipo. De modo que a história já
segue o fluxo da primeira. Eles estão “fugindo”, estão meio confusos sobre o
que vão fazer etc. Grande parte da obra segue o percurso dos personagens em
busca dos sanguenovos – os vermelhos que possuem poderes como os prateados –,
enquanto Mare tenta montar seu exército para combater Maven e seu reino.
Comparado com o primeiro livro, este é mais “recheado” de mortes e conflitos –
sejam estes entre grupos ou individuais. Além de que não há pausas para
descanso nesse livro, há sempre algo acontecendo, estão lutando, se preparando
para lutar, fugindo, tendo discussões, o que for...
 |
| Fonte: arquivo pessoal. |
Primeiramente,
queria comentar sobre esse título bonitinho: Espada de Vidro. Particularmente
gostei dele, e estava um pouco ansiosa para ver a explicação que dariam a ele. É
“espada” por ser uma arma, a Mare se considera uma, e bem forte até, enquanto
que o vidro e o “estilhaçar” da frase da contracapa mostram algo que pode ser
elegante, afiado, porém frágil. Faz sentido se for considerar todo o
desenvolvimento da Mare ao longo dos dois livros, principalmente depois da fala
da página 275 – que é a da contracapa. Contudo, no momento em que foi dito,
soou apenas como mais um pico dramático da Mare. Justo após, olha o
spoiler, de ela tomar a decisão de
alguma coisa. Ficou fugindo desde o primeiro livro – segundo a protagonista – e
daí, pronto, decidiu algo. E, não sei, quando ela toma decisões, de algum modo, espera-se que a personagem saia um pouco da linha tênue da
indecisão/fragilidade. Parece óbvio, mas, se for olhar, fica estranho. Talvez eu
esteja equivocada ao pensar desta forma, e, se alguém entendeu diferente, por
favor, me explique. Mas eu gostei do título, ok?
 |
| Fonte: arquivo pessoal. |
Como na
resenha do primeiro livro foquei mais no lado da guerra, digo que no segundo
isso se tornou muito mais evidente. Não apenas as menções ou o fato da Guarda
Escarlate aparecer bem mais neste livro, mas também o fato de que a morte está
muito presente. Vários personagens morrem neste livro; a maioria deles nem é
“relevante” para a história, mas trazem o caráter claro de como estava o clima
naquela região. As pessoas estavam morrendo, às vezes por motivos bestas.
Parando para pensar nisso, me lembrei do primeiro episódio de Dr. House (que assisti
recentemente), em que há uma breve conversa sobre viver ou morrer com
dignidade. Como House diz, não há dignidade no
morrer; pode-se apenas
viver
com dignidade. Olhando para o livro, para a situação de grande maioria das
pessoas, não há, de fato, dignidade na morte. Muitos sequer vivem com
dignidade; mas estão em guerra, esse é o propósito, pensar nesse contexto e,
então, encaixar todos os elementos que a história traz. Ademais, nesta questão,
e o que vem a ser importante para a história, veem-se
As Medidas, que apareceram mais ao final, acho, do primeiro livro.
Estas Medidas foram pronunciadas pela própria Mare, o que a faz sentir culpa
por isso.
“As Medidas
tornaram a vida dos vermelhos bem difícil, pior do que nunca, levando muitos
deles às florestas e fronteiras em busca de um lugar onde não fossem forçados a
trabalhar até morrer ou enforcados por dar um passo em falso”. (p. 287).
Um ponto
também importante para a história é como é encarada a questão de aceitar que a
morte de alguns, em compensação pela vida de outros, vale a pena – por uma
causa maior, tudo pode. Isso se somando ao fato de que a autora também mostra
como pessoas iguais a “Mare de antes” agiriam, pensando como ladrões, de certo
modo egoístas e cruéis, na justificativa de que a situação os fez assim.
“Não é
difícil deixar pessoas morrerem quando isso garante a vida de outras pessoas”
(p. 213).
Esse
contraponto de como a protagonista era, pelo que ela passou e quem ela está se
tornando é algo que a autora soube abordar. Apesar de eu considerá-la meio
chata e, depois do primeiro livro, ter me enjoado um pouco com a narrativa
dela, não dá para negar que o desenvolvimento da Mare Barrow foi bem colocado. De
uma ladra passou a fingir ser uma prateada, e, mesmo após, como um sanguenovo,
ainda passou por conflitos de quem de fato ela era e a que grupo pertencia.
Tudo isso não deixando de considerar que ela tem dezessete anos; embora eu
ainda desgoste do drama que ela faz.
“Não importa
o que eu faça, não importa o quanto eu tente ser um deles, os sanguenovos me
enxergam como algo à parte. Seja líder ou leprosa, sou sempre uma estranha.
Sempre separada”. (p. 299).
O preconceito
que Mare tinha contra os prateados no primeiro livro fica claramente modificado
neste segundo livro. Ao conviver com prateados, ela acaba percebendo que a
diferença entre eles não é tão grande quanto ela imaginava. E aqui me questiono
se seria intenção da própria autora, desde o início, fazer menção à questão do
preconceito; porque não dá para evitar pensar que essa divisão do livro é tanto
social quanto “racial”. Afinal, pelo menos do que me lembro, todos os
prateados possuem a pele clara; mesmo o ruborizar deles é deixá-los mais
pálidos. Enquanto que Mare é descrita como tendo pele, olhos e cabelos castanhos.
“Antes, eu
acreditava que o sangue era tudo no mundo, a diferença entre a luz e a
escuridão, uma divisão irrevogável e instransponível. Tornava os prateados
poderosos, frios e brutais, desumanos até, quando comparados aos meus irmãos
vermelhos. Mas pessoas como Cal, Julian e até mesmo Lucas me mostraram como eu
estava errada. Os prateados são humanos como nós, cheios dos mesmos medos e
esperanças. Não estão livres do pecado, mas também não estamos. Nem eu estou”.
(p. 281)
Mas o que fez
Mare conviver com eles também foi justamente o que a tornou como eles;
descobrindo e percebendo o poder que ela tem, surge certo prevalecimento de
quem detém o poder perante os que não o tem. E isso aparece mais nitidamente
quando ela se refere a seu amigo Kilorn.
“Meu poder é
meu bem mais precioso, ainda que me separe das outras pessoas. Mas por poder,
pelo meu próprio poder, é um preço
que estou disposta a pagar” (p. 77).
Num geral, os
personagens foram bem desenvolvidos, mas, como no primeiro livro, acho que isso
seria ainda mais interessante se visto em terceira pessoa. Por exemplo,
personagens como o Kilorn, a Farley ou o Cal poderiam ser mais explorados. Acho
que gostaria mais disso do que os conflitos internos da Mare, que, devido ao
que aconteceu no primeiro livro, passa a não confiar em ninguém, por vezes nem
em si mesma.
 |
| Fonte: arquivo pessoal. |
Não estava
muito esperançosa com esse livro, e talvez por isso minha nota a ele tenha sido
boa, porque a autora conseguiu manter um nível na série. Mas ainda achei que
algumas coisas ficaram estranhas. Apesar disso, e talvez porque estou um pouco
enjoada da narrativa da Mare – e, portanto, ler mais 400 ou 500 páginas disso
parece complicado –, de fato, como o primeiro livro, o segundo deixou espaço
para uma baita curiosidade quanto ao terceiro livro, que tem previsão para o
ano que vem. E a grande questão é: Quem serão os mortos nos próximos dois
livros?
Apesar de a
minha opinião não ser muito positiva quanto à série num geral, porque a meu ver
é adolescente demais, acho que é uma história tranquila de se ler. A narrativa
é simples, bem fluída, sem muitas descrições, além de que os diálogos são
próximos à linguagem do dia a dia, isso é, há um tom de informalidade.
Para quem
gosta desse estilo de história, e de narrativa, recomendo a leitura. Enfim, essa é só a minha visão do livro. E vocês? Já o leram? =)