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    Mostrando postagens com marcador Editora Intrínseca. Mostrar todas as postagens

    08/02/2017

    O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman (Resenha)

    Olá, pessoal!

    Não se lembrar do que passou não significa necessariamente que nunca aconteceu, não é? Algumas vezes, desejamos lembrar e esquecemos; em outras vezes, ocorre o inverso. As lembranças são construídas e postas numa gavetinha da sala da memória de uma forma curiosa e que não se pode controlá-la (eu não posso, ao menos). Algumas lembranças são mais nítidas, outras, nebulosas. Todos nós tivemos uma época em que fomos crianças, mas nem todos nos lembramos dessa fase da vida, mesmo sendo tão importante para nossa formação. Não é à toa que fatos ocorridos na infância moldam quem somos; mas moldar não significa que seja algo imutável.

    “- Nada nunca é igual – respondeu ela. – Seja um segundo mais tarde ou cem anos depois. Tudo está sempre se agitando e se revolvendo. E as pessoas mudam tanto quanto os oceanos.” (GAIMAN, 2013, p. 185).

    A mim, a ideia de que as pessoas mudam sempre foi quase que um fato; mas terminando a leitura de O oceano no fim do caminho, começo a me questionar por que mesmo mudando ainda somos, de algum modo, os mesmos? Talvez porque, embora as pessoas mudem, jamais o façam totalmente. Isso é, a mudança raramente (e talvez nunca) se dá de modo drástico e completo, sendo gradual, aos poucos, sempre guardando algo de quem já fomos. Porque não se apaga o passado, o que já aconteceu. Posso não me lembrar de ter caído e me machucado quando pequena, mas a marquinha está ali para me mostrar que algo aconteceu. Posso não me lembrar das pessoas que conheci, mas cada experiência me ajudou a melhorar o modo como vejo e entendo as pessoas. Por outro lado, após terminar de ler As Crônicas de Nárnia, começo a pensar um pouco diferente; a separar o ‘mudar’ do ‘crescer’, só que isso já é outra questão. Tudo isso, enfim, foi só para dizer que o passado influencia, querendo ou não. (Embora possam dizer que no livro que comentarei isso talvez possa ser divergente, já que ali o passado-presente em certo momento podem se misturar, se associar ou se excluir – dizer mais que isso é spoiler, então deixarei meio vago mesmo; mas até agora falei de nosso mundo baseado na realidade.)
    Bem, deixo uma questão em aberto aqui:
    Será que, mesmo que não nos lembremos, esses fatos ainda assim importam?

    “As memórias da infância às vezes são encobertas e obscurecidas pelo que vem depois, como brinquedos antigos esquecidos no fundo do armário abarrotado de um adulto, mas nunca se perdem por completo.” (GAIMAN, 2013, p. 14).

    Já faz algum tempo que queria ler O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman, mas só o vim a fazer nesses últimos dias de janeiro. Ter ganhado o livro de presente (da Tainan) foi motivo suficiente para colocar a leitura dele mais no topo da minha lista de leituras 💙. A obra, num geral, apesar de suas poucas páginas – sendo um livro que se lê tranquilamente em dois dias –, é tão leve e sutil e, ao mesmo tempo, ‘pesada’ e profunda que eu não conseguiria, nem querendo, transmitir a atmosfera dela.

    Sutil, mágica e com várias frases bonitinhas, a história começa, porém, com o protagonista já adulto voltando à cidade onde passou a infância para ir a um velório. Lá, algo o atrai para visitar o terreno onde morou e, de lá, a ir até o fim da estrada daquela rua, onde havia uma fazenda com um lago de patos. A partir de então, conhecemos a infância do narrador, cujo enredo parece de fato se desenrolar após o suicídio de um homem dentro de um carro no fim da estrada (a mesma que o atraiu anos depois). A morte daquele homem desencadeou alguns eventos um tanto perigosos, e vamos percebendo, a partir do relato do narrador-protagonista, que a história é mais do que os eventos que se sucederam; é a forma com que a realidade pode estar tão conectada com um mundo surreal ou dos sonhos, a forma com que o mundo das crianças é diferente do mundo dos adultos, embora sejam o mesmo, e como, no fim, todos têm de passar pela experiência que é viver.

    O livro é tão curtinho, só 208 páginas, e o autor a escreveu tão bem – apesar dos erros da edição que eu li (publicada em 2013 pela Intrínseca) –, que sem dúvida recomendo e muito a leitura da obra. Um tanto dramática, mas linda, a história desliza, percorre as memórias do narrador e somos levados a um mundo surreal e, também, a pensar na infância, na família e nos livros. Pois o protagonista, com seus sete anos, não tinha amigos, restando a ele a companhia dos livros que lia. Uma solidão que me parece um tanto triste, já que se soma ao fato de ele ter bastante medo das coisas, mas que permite que se entre no clima das aventuras que, embora não solitárias, transformam o livro numa espécie de oceano.

    “Pessoas diferentes se lembram das coisas de jeitos diferentes, e você nunca vai ver duas pessoas se lembrando de uma coisa da mesma maneira, estivessem elas juntas ou não. Se elas estiverem uma ao lado da outra ou do outro lado do mundo, isso não faz a menor diferença.” (GAIMAN, 2013, p. 196).

    A leitura de O oceano no fim do caminho foi como um mergulho na narrativa de Neil Gaiman. Com uma fluidez e uma certa magia, a qual não precisou ser explicada para ser sentida, que mostra que as entrelinhas também contam histórias; e de que cada ser vai lembrar do mundo de um modo diferente. Enfim, não há como não recomendar esse livro. Já o conheciam ou já o leram? ;)

    06/10/2016

    Como eu era antes de você, de Jojo Moyes (resenha com spoilers)

    Olá, leitores!

    Como o livro de hoje é bem conhecido e muita gente já leu, resolvi fazer uma resenha diferente, ou seja, com spoilers. Vou comentar alguns pontos que me chamaram a atenção na história e também o final, logo, se você não leu e não gosta de spoilers, sugiro que pule o post. 
    O livro conta a história de Louisa e é narrado por ela (ponto importante para discutimos a obra), que vive tranquila e feliz sendo garçonete, isto é, não planeja mudar de vida ou o que fazer no futuro. Passa seus fins de semana lendo e vendo televisão. Fato, o qual não vejo nada demais, se a pessoa gosta de passar o seu tempo livre lendo (como eu) não tem nada demais. Porém, é uma pessoa que não tem sonhos e não planeja. 
    A vida da protagonista muda quando é demitida, pois o café fecha e se vê obrigada a aceitar um emprego como cuidadora de um tetraplégico por seis meses, é aí que conhecemos Will, que teve a vida mudada após um acidente. Um dos pontos em que mais me chamou a atenção no livro foi o sofrimento de Will: crises de pneumonia, vários remédios para dor, a falta de estrutura para deficientes, as pessoas o olhando de forma estranha. Enfim, é algo que existe fora dos livros, mas que não conhecia.

    A minha edição é a econômica vendida na revista Avon. Foto: arquivo pessoal

    Comentando o final polêmico do livro:

    Não me surpreendi com o final, pois já sabia, vale ressaltar que não gosto de spoilers, por isso não me surpreendi. Lendo sabendo que Will ia cometer suicídio, vi algumas pistas disso, uma delas é que Lou, ao pesquisar nos fóruns, recebeu uma resposta de um homem na mesma situação de Will, que diz que se pudesse se mataria. Acredito que a autora colocou essa parte para preparar o leitor para o que viria pela frente.
    Não posso dizer que concordo ou mesmo que tomaria a decisão que o Will, mas entendo, visto que o sofrimento dele era enorme, ou seja, dependia das pessoas para fazer muitas coisas (até mesmo comer), tinha muitas dores, vivia doente, entre outros motivos.

    Olhei-o na noite passada, pensei na vida dele e no que vai ser... e, apesar de desejar toda a felicidade do mundo para ele... não o condeno pelo que quer fazer. É a escolha dele. Tem que ser.

    Capitu traiu Bentinho? Ops... Will amava Lou?

    Retorno ao ponto importante que citei no início da resenha: o livro é narrado em primeira pessoa, logo, temos a visão da Lou dos fatos, o que não necessariamente seria o que aconteceu, visto que o ser humano tende a fantasiar. Quem nunca imaginou que a pessoa tem um brilho no olhar ao olhar você? Que aquele crush te olha de um jeito diferente? Embora, tem um capítulo, narrado por Nathan, em que ele afirma que Will olha para Lou de maneira diferente.
    Não vi esse amor que muita gente afirma ter visto, óbvio que Will gostava dela, tinha um sentimento de gratidão e se preocupava com ela. O que enxerguei foi mais uma amizade da parte dele. Acredito que o amor faz com que você queira ficar junto da pessoa amada não importa a dificuldade (distância, falta de dinheiro, amor proibido...), o que não vi no Will. Enfim, defende da sua definição de amor. Deixe nos comentários se você acha que ele amava ela ou não ;)

    Foto: arquivo pessoal

    Depois de você

    Não comprei a continuação pois já li várias resenhas negativas a respeito da obra, vi a premissa e não gostei. Se você leu, deixe sua opinião nos comentários.

    Concluo a minha resenha dizendo que não é um livro que me emocionou, acredito que seja porque já sabia o final, então não me surpreendi. Mas que fiquei completamente apaixonada pela narrativa da Jojo Moyes e pretendo ler mais livros da autora. O que acharam do livro? E do filme? Me contem nos comentários.

    01/08/2016

    Estação Onze, de Emily St. John Mandel (Resenha)

    Olá, pessoal!
    Não sei se já leram ou pararam para pensar sobre os finais de livros. Não digo apenas se eles são bons ou não; ampliemos um pouco, pensemos em que sensações os finais nos causam. Em certa aula de Literatura Inglesa e Norte-Americana I (conhecida como Lina), o professor chamou atenção para esse ponto: a importância dos finais nos livros. Até me lembro de certo texto que li, sobre isso, do Luiz Schwarcz. Tanto o começo quanto o final do livro nos marcam. Vocês já perceberam isso?
    Quero dizer, quando li ou quando ouvi o professor de Lina falando sobre isso, sobre essa importância dos finais, eu havia entendido. Mas não percebido e sentido que isso é, de fato, tão relevante ao leitor. É aquele tipo de conhecimento que até que o vivencies não será tão marcante a ti. Entendi isso com as leituras de “Demian” (Hermann Hesse) e “Estação Onze” (Emily St. John Mandel), que são livros cujos finais são distintos demais. Ambas as obras são fantásticas, e possuem questões muito diferentes, mas é como termina a história que marcará nossa impressão final da obra. Redundante? Talvez.
    Devo admitir que não me encantei tanto com o final de “Estação Onze”, porque ele não foi sensacional, não foi algo perto de um clímax, ou mesmo uma cena que te deixa agitado. Porque é um final mais nostálgico, reflexivo; um final que não te deixa com as sensações à flor da pele. E talvez essa tenha sido a intenção! Porque o livro, mais do que uma obra sobre calamidade e relações humanas, é uma obra para pensarmos em nossa sociedade, nas relações humanas, claro, mas em como, na verdade, todo o nosso sistema social é frágil. Então, ele não causa agitação mesmo, não te deixa extasiado ou mesmo empolgado, porque não é o propósito dele – eu acho. Diferente de “Demian”, cujo final é sensacional, porque não deixa totalmente claro e tem um ar meio que de clímax. E é essa sensação, de dúvida, de arrebatamento, que causa esse êxtase ao terminar a leitura. Não dá para deixar de mencionar que a partir disso entram outras questões, como definir se as histórias são "fechadas" ou "abertas" etc.
    Apesar de ter começado a falar pela sensação que o final me proporcionou, espero que não se chateiem com isso, e possam aproveitar tanto da obra quanto eu.

    Bom, já ouviram falar do livro?
    “Estação Onze” é aquele tipo de livro de 400 páginas que, se parares para pensar, associando e pensando o que farias ali, e pensar ainda em cada pormenor, verás uma infinidade de assuntos. Isso porque a obra apresenta a nossa atualidade, nossa sociedade com toda sua tecnologia, e o que poderia vir a ser após uma calamidade. Na obra de Mandel, uma gripe, uma possível mutação da gripe suína pelo que se pode entender, denominada de Gripe da Geórgia, acaba atingindo todo o mundo – pelo que se pode entender ao menos – matando praticamente cerca de 99% da população mundial pelas últimas estatísticas. Tendo contato com o vírus, em 24 horas a pessoa estaria morta. Uma epidemia que se espalhou pelo mundo rapidamente devido às pessoas que viajavam de avião sem saber que estavam infectadas. Horrível, não?

    “Jeevan foi esmagado pela repentina certeza de que era aquilo mesmo, a doença que Hua descrevia iria representar uma fronteira entre um antes e um depois, uma linha que cortaria sua vida ao meio.” (p. 27).

    Segundo pude perceber, a obra é dividida em dois grandes períodos e três núcleos. Os períodos, fáceis de estabelecer pela citação acima, são o antes e o depois da gripe que devastou o mundo. Já os núcleos podem não ser tão facilmente identificados, ou posso estar fazendo erroneamente, e os chamarei de “grupo”, mas pelo que vi são: o grupo do Arthur; o grupo do Jeevan; e o grupo da Sinfonia Itinerante. Todos os grupos aparecem no antes e no depois. Chamo de grupo por englobar, junto ao personagem foco, todos os integrantes que se relacionam com ele. Simplificando, é mais ou menos assim: com o Jeevan – meu personagem favorito da obra –, ficamos conhecendo também seu irmão Frank; com Arthur, bem, a história é mais longa, mas conhecemos um pouco de suas ex-esposas, seu filho Tyler e seu amigo Clark; e, com a Sinfonia Itinerante – grupo de pessoas que viajam juntas apresentando concertos e peças de teatro –, conhecemos mais do mundo pós-calamidade e de parte de seu grupo composto por mais ou menos trinta integrantes. É interessante notar, aliás, que a história, embora em terceira pessoa, terá foco nesses três grupos, contando-nos sobre “os dois mundos” a partir deles, de modo que muita coisa fica em aberto e poderíamos nos questionar sobre o que aconteceu ou aconteceria futuramente, mas mesmo as possíveis pontas em aberto não incomodam a leitura em si.
    Pequena observação: esse é um livro que seria muito mais interessante se pudesse ser abordado considerando todo seu desenvolvimento e, com isso, os spoilers.
    A história começa no último dia antes do anúncio oficial da epidemia e, também, o último dia de vida de Arthur, um ator cuja vida vamos conhecendo aos poucos no decorrer do livro. Logo ao início, tem-se uma apresentação da peça Rei Lear, de Shakespeare, na qual Arthur interpreta o rei Lear e acaba morrendo em cena, devido a um infarto – se não estou enganada. Jeevan, o personagem meio esquecido da obra, estudando para ser paramédico, sobe ao palco para auxiliar o ator, quando percebe que este está passando mal. A partir de então temos os grupos estabelecidos; pois a Sinfonia Itinerante possui como membro Kirsten, uma atriz mirim que presenciou a morte de Arthur.

    “Kirsten se viu imaginando, como sempre acontecia quando via crianças, se era melhor ou pior nunca ter conhecido outro mundo, exceto o que veio depois da Gripe da Geórgia.” (p. 144).

    Inicialmente, não se tem ideia do quanto a epidemia afetou de fato a população sobrevivente, mas aos poucos a autora vai explorando o atual e o pós-desgraça. Talvez mais do que um livro sobre calamidades, seja pensar nas relações humanas – como é dito na contracapa – ou mesmo em como está a sociedade atual, ou mais do que uma história sobre tragédias, efemeridades e fama, a obra funcione como uma porta de reflexões e/ou pensamentos. Não como algo ali, explicitamente dito, mas mesmo o que está nas entrelinhas e só percebemos ao final.
    Explico-me melhor. De início, lembrei-me de outro livro que li há um tempo, “Na companhia das Estrelas”, de Peter Heller. Em ambos os livros vê-se uma situação pós-calamidade. São livros totalmente distintos, mas que nos passam algumas informações curiosas; fazem-nos pensar, mesmo que brevemente, nesse outro mundo em que poderíamos estar vivendo, eu diria ser uma ficção de um mundo muito verossímil. Mas voltando ao livro “Estação Onze”, e evitando os spoilers, questiono-os: já pensaram o quanto nossa sociedade, afinal, é frágil?

    “- Quer dizer que temos de acreditar que a civilização simplesmente chegou ao fim?
    - Bem – sugeriu Clark –, ela sempre foi um pouco frágil, não acha?” (p. 238).

    Vejam, se a sociedade fosse bem estruturada, talvez não se tornasse o que se tornou com a calamidade. Isso é, não se teria o desespero, a falta de tecnologia, o medo de simplesmente ver outro ser humano que não seja do seu grupo. Ao mesmo tempo a sociedade produz meios de que se possa voltar a estar num nível aceitável de convivência. Tudo depende do tempo, de quem vive e do que faz nesse tempo. Se mesmo com todo o comodismo, tecnologia e “facilidade” de sobrevivência que possuímos hoje temos essa sociedade com seus problemas, imagine com menos condições favoráveis. Na leitura da obra de Mandel, lembrei-me daquela ideia da sociedade como uma máquina, sendo cada “grupo” uma peça. Cada elemento coexiste, e mesmo sem ter noção ou conhecimento do outro, funcionam num conjunto para que a “máquina”, em sua totalidade, funcione adequadamente e sempre buscando melhorias. Morrendo os funcionários responsáveis pelo abastecimento de água e energia, por exemplo, todo o resto vem a cair/falir. Sem internet, sem energia, sem água, sem abastecimento de comida. A sociedade pós-calamidade era isso e um pouco mais; com pessoas que não tinham conhecimentos de uma vida sem o conforto e tecnologias. Essa questão também me lembrou do que se vê ao estudar sobre interdisciplinaridade, a fragmentação e toda a separação e conhecimento de “nada”.
    Ademais, convém dizer que o desenvolvimento dos personagens, apesar de bem colocado, de modo que consegues compreender as mudanças por que passaram, poderia ter sido muito mais explorado. O livro não é pequeno, são 400 páginas com fonte, margem e espaçamento pequenos, mas talvez ainda pudesse ser maior. A minha leitura da obra demorou um pouco, tanto por não parar tanto para ler quanto pelos pequenos pontos em que eu parava a leitura e pensava a respeito. Logo ao começo, por exemplo, um pequeno dado da obra, sobre a gasolina, me fez lembrar do livro “Na companhia das estrelas” e, disso, fiquei tentando lembrar e associar as semelhanças e diferenças; tentando pensar, como no início da leitura, qual a intensidade da situação, como as pessoas agiram e porque o fizeram desse modo etc. Aliás, é interessante mencionar o que o livro possui algumas referências bem específicas a outras obras, como a Star Trek e a algumas peças de Shakespeare, mas nada que atrapalhe a leitura caso desconheça as referências.
    A edição, publicada no ano passado pela Intrínseca, apesar de muito bonita e ser um livro agradável tanto pelo material quanto pela qualidade, possui alguns errinhos de revisão. Além de que fiquei um tanto desapontada com a capa após a leitura, pois é só no decorrer da obra que se percebe/descobre o motivo das facas na capa, e questiona-se o porquê das cabanas estarem tão iluminadas à noite – alguém já o leu e poderia me explicar caso eu não o tenha entendido? Porque não me parece possível pensar naquela iluminação toda na situação em que se encontravam, com recursos mais escassos etc. Enfim, mesmo para quem não goste de livros que abordem elementos meio pós-apocalípticos, com calamidades etc., acho que a leitura seria bem interessante, talvez mais ainda para quem não esteja acostumado com esse tipo de ambientação; embora quem já esteja também vá aproveitar muito, pois o livro é muito mais do que um retrato de calamidade. Fluído, com um drama bonitinho e uma retratação de parte de nossa sociedade, a leitura é muito bem-vinda.

    “O que quero dizer é que, quanto mais a gente lembra, mais a gente perdeu.” (p. 189).
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