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| Créditos: Site da Unesc - Foto retirada nesta terça-feira (23/2). |
Sou acadêmica
do curso de Letras da Unesc, atualmente na sétima fase, último ano – com
direito a estágio supervisionado e o não tão abominável TCC. Fazer parte de um
curso de Licenciatura me trouxe muitas experiências e conhecimentos que eu
sequer imaginava antes de ingressar no curso. Obtive algumas oportunidades que
muito me acrescentaram, como o estágio da prefeitura de Criciúma, a
participação de grupos de pesquisa – o grupo de tradução
Verbis Sensus e o grupo a respeito da formação de professores
Políticas, Saberes e Práticas da Formação de
Professores – e o PIBID. Essas oportunidades significaram muito na minha
formação, me possibilitaram conhecer e ter uma nova visão de mundo, me ajudaram
a crescer não apenas profissionalmente, como pessoalmente também. E diante desse momento em que tanto se está falando do Pibid, resolvi trazer um pouco da visão que tenho sobre a influência desse programa na formação de professores. Para quem não conhece, talvez, apenas talvez, possa pensar que
o projeto não é grande coisa. Mas deixe-me esclarecer alguns detalhes sobre a
minha experiência com esse programa.
Primeiramente, embora
não seja necessário dizer, é fato que apenas a graduação não prepara totalmente
o acadêmico de licenciatura para sua atuação. Três, ou mesmo quatro anos, não
são e nunca serão suficientes. O professor nunca está, de fato, formado. É algo
constante, que vai se aprimorando conforme os anos passam, porque é uma
profissão que envolve lidar com pessoas, com crianças e adolescentes ainda em
crescimento. Em fases importantes de suas vidas, que merecem receber uma
educação de qualidade e suporte adequado para melhor se desenvolverem. Afinal,
é durante a fase escolar que os alunos escolhem determinado rumo de suas vidas,
quando moldam seus valores morais e constroem a base de toda a sua vida. Não
seria, então, mais do que necessário oferecer uma
educação de qualidade? Oferecer do bom e do melhor? Não é a educação que irá
moldar nosso país?
Para isso
precisam, primeiramente, pensar na formação de professores. Como eu já
mencionei, só o que a faculdade proporciona ainda não é suficiente. Não digo
que ela não cumpre com o seu papel, pelo contrário, como curso de formação
inicial muito nos é oferecido e desde que saibamos aproveitar serão anos muito
gratificantes, de fato. Contudo, é limitado o tempo que é dedicado a presenciar
salas de aula antes de estágios ou de atuar como professor habilitado.
E é aí que o
Pibid entra! Pois proporciona o contato com a sala de aula, sob a supervisão de
professores já formados, para que conheçamos o que nos espera e para melhor nos
prepararmos futuramente. Este contato não é insignificante, é crucial. Sempre
lembro, ao falar disso, de uma fala de Nóvoa sobre a formação dos médicos;
antes de se formarem, eles têm um período de observação com médicos já formados,
no qual podem observar o dia a dia da profissão e tirar suas dúvidas antes que
estejam já no mercado de trabalho e tendo toda a responsabilidade sobre si
mesmos, sem a ajuda de alguém já com experiências, com tempo para retirar suas
dúvidas e dar conselhos.
Mas não apenas
isso! O Pibid vai muito além. Também nos ajudou a ver que o professor não é
apenas formado pelo seu lado profissional, deixando o pessoal “do lado de
fora”. Nos encontros do Pibid aprendemos que o professor não pode “abandonar”
seu lado pessoal durante as aulas, até pelo contrário, ele não pode esquecê-lo.
É claro que sempre há limites e suas exceções, mas o que conta é que o
professor não se esqueça de dedicar um tempo a si mesmo, um tempo para ler um
livro ou assistir um filme. O professor não pode estacionar e ficar se
repetindo ano após ano. Durante nossa formação, pudemos ver que a repetição é
sinônimo de “zona de conforto”, o professor não busca novidades, não é crítico,
não busca formas diferentes de ensino, enfim, não questiona. E ser crítico e
questionar é justamente o que devemos ensinar aos alunos, a pensarem por si
próprios, a não aceitarem qualquer opinião que lhes forem impostas. A saber ver
os dois lados da história – aqui lembro do vídeo que vimos mais de uma vez na
faculdade, da
Chimamanda Adichie – e sempre buscar dialogar com os
companheiros.
O Pibid me
ajudou a ver que o trabalho de um professor não é algo isolado, não é feito por
uma só pessoa, e que essa não deve ficar “só na sua aula e pronto”. A aula sequer
é DO professor, é PARA os alunos. No subprojeto Interdisciplinar do Pibid vimos
que um trabalho em grupo não pode ser dividido em partes; o grupo precisa ter
conhecimento de todo o projeto. Numa escola não se pode trabalhar isolado,
afinal, é um trabalho com seres humanos em formação; os professores precisam
conversar entre si, compartilhar as experiências que dão certo, e que não dão
certo também. Porque mesmos as experiências negativas são importantes.
Devo admitir
que por muitas vezes toda essa nova perspectiva da profissão me assustou. Ser
professor, mas ser um professor de verdade, não é fácil; pelo contrário, é
difícil e desafiador. E ser um professor interdisciplinar então? Será que
estamos preparados a nos arriscar a esse desafio? Porque para isso serve também
o Pibid. Não é apenas um programa em que vamos às escolas e fazemos projetos;
não é apenas reuniões na universidade para estudarmos; é os dois juntos e um
pouco mais.
É a partir do
Pibid que você começar a se definir como professor, quando está em sala de aula e percebe o que (não) funciona, que começa a moldar que tipo de professor você quer ser. Além disso, o
projeto contribui com o professor em sala de aula, que, muitas vezes, em
decorrência da carga de trabalho, acaba não se renovando. Por meio do Pibid ele terá contato com o universo acadêmico novamente e, assim, aprende novas
formas de ensinar, tem novos conhecimentos, entre outros pontos importantes.
Contudo, o mais
importante é como o Pibid contribui com o aluno em sala, ao trazer projetos e
práticas diferentes, pois assim possibilita uma forma diversificada que
contribuirá com os conhecimentos dos alunos. Exemplo, por meio do Pibid
Interdisciplinar – ao qual faço parte –, os alunos estudavam Língua Portuguesa,
História e Artes juntas, de uma forma fluída, lhes proporcionando um ensino
mais completo, mas de uma forma mais leve.
Neste texto
todo talvez eu ainda não tenha esclarecido o quanto foi e ainda é relevante
participar do Pibid. Mas o principal, apesar de tudo, é que acho relevante
pensar o seguinte: Que professores queremos para o futuro do Brasil?